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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Palestra sobre a necessidade do reinado social de Cristo - Pe Daniel Maret (FSSPX)

Alguns pretendem dizer que o reinado de Cristo não é na Terra. É somente no céu. Isso não corresponde a história e não corresponde ao próprio evangelho. Então vamos tentar ver historicamente como se dá esta realeza de Jesus. 
Como se vê nos evangelhos, Jesus recusou a coroa que os judeus lhe ofereceram. Ele não queria esta realeza a moda judaica, isto é segundo um messianismo temporal que pretende substituir os reinos existentes a fim de escravizar todos os povos, colocando-os a serviço do povo eleito. Deus não queria dessa forma, por isso que recusou. Evidentemente segundo a tradição judaica, a única maneira de o messias aparecer, seria como um rei. Isso é verdade, aliás uma verdade constante, o filho do rei Adão deve ser um rei. Mas há realezas e realezas e Jesus vem estabelecer uma realeza especial, que tem a característica de ser universal, acima de todas as autoridades para ter uma influência sobre todas elas e não fazer um reino particular entre os reinos já existentes em que o seu reino suplantaria todos os reinos à moda terrena. O reino de Jesus é transcendente. 
Primeiro, há a concepção de que Jesus vem como restaurador das obras de seu Pai. Ele não renega o que fez o Seu Pai. Todas as autoridades vem do Seu Pai, de Deus e devemos respeitar todas as autoridades por amor a Jesus Cristo, na fidelidade de Jesus Cristo. O desejo de ver triunfar a verdade nas autoridades é o que se espera. 
Então se vê que muitas vezes se ouve falar que Jesus nunca fez política, economia, obra social e isso não é verdade. O fato é que Deus, Jesus Cristo, restabeleceu os princípios  de toda a vida social, por isso é preciso analisar o evangelho no contexto histórico no qual Jesus apareceu. 
Jesus apareceu em um mundo que era socialmente oriental, culturalmente greco e economicamente romano. Cada uma dessas orientações dadas respectivamente pelos essênios, saduceus e fariseus. Jesus não vai apoiar os saduceus, tampouco os essênios, os fariseus menos ainda e condenou a posição de cada um deles. Cristo não apresentou uma religião apolítica, como os essênios pretendiam, mas apresentou uma linha social, uma linha política, uma linha doutrinária por isso que os cristãos, naturalmente a tradição
Por isso que naturalmente a tradição cristã transmite valores sociais e com a presença da igreja na sociedade tem-se um resultado político e social. Isso é interessantíssimo.
Desta maneira, na história da igreja pode-se verificar o seguinte:

  • O choque da Igreja Católica com o mundo antigo (judaico, grego e romano)
    O mundo judaico representa todo fundamento da piedade religiosa, o mundo grego representa toda a cultura e o mundo romano toda a política e o exercício de autoridade. Cristo vai dar orientações aos gregos, aos romanos e aos judeus de forma a gerar orientações sociais, políticas e religiosas.
Apesar de em número inferior, em Roma começou toda uma obra social em que os católicos cuidavam de cerca de 5000 pessoas como doentes, órfãos enfim pessoas rejeitadas pela sociedade. Essa prática começou a chamar a atenção da civilização. 
Por exemplo, os pobres eram instrumentalizados pelo estado. No mundo pagão o imperador fornecia pão, jogo , fartura para acalmar o povo já que precisava de uma calma política. De forma que a vida social era sob certo aspecto calculada, mas não havia uma preocupação social. Foi a Igreja que instalou no mundo pagão essa preocupação e essa ideia vai crescer e se impor. 
Foram precisos 3 séculos de perseguição, de afronta contra este espírito (tal perseguição que provocara milhares de conversões) e assim sendo perseguida a Igreja vai crescer, quando finalmente no séc IV tem-se o triunfo do cristianismo no momento em que o imperador Constantino cria um edito para oferecer liberdade religiosa a Igreja Católica (a Igreja vai sair das catacumbas).
Obviamente ainda havia o culto pagão, mas agora a Igreja começa uma luta frente a frente entre a concepção da sociedade pagã e a concepção cristã e em menos de 1 século a Igreja vai triunfar ao ser reconhecida como uma religião mais útil, mais favorável ao estado e à sociedade, se tornando a religião oficial do estado. A religião pagã vai ser condenada e ser associada ao prejuízo da sociedade. Assim , o catolicismo na sua obra social vai ser reconhecido como melhor apoio para a obra social, para a prosperidade do estado, suprimindo a corrupção e outros crimes em geral.
Depois os cristãos vão começar a desempenhar cargos na sociedade que vão revelar aos pagãos a superioridade da concepção cristã. Se vê como Jesus virá a reinar. Isso é o reino social de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A segunda etapa é marcada historicamente pela invasão dos bárbaros. Os bárbaros vão destruir todas a estrutura social existente e mundo romano vai cair, quer dizer, a organização social romana sucumbirá. Todos os valores sociais, políticos vão ser destituídos pelos bárbaros que vão despojar a sociedade romana de todos os seus tesouros e instalar a bagunça e a violência por todo o império. Assim é que Jesus Cristo vai reinar sobre essa situação e vai exercer o seu poder através da Igreja Católica, conservando os valores do mundo antigo, os valores culturais gregos, os valores políticos do mundo romano e transmitindo, melhorando e purificando-os. Com o apoio dos bárbaros, a igreja vai reconstruir a sociedade com a ajuda da piedade, ensinando aos bárbaros  como exercer autoridade. E assim, os bárbaros vão aos conventos ver o exemplo dos monges, a organização dos conventos, seguir o exemplo dos bispos, o exercício de poder dos bispos, sendo que os bispos se tornaram referência de forma que por todos os lugares dizia-se que debaixo do báculo do bispo florescia a prosperidade, o fim das brigas etc, mostrando o bispo como um pacificador e ordenador da sociedade.
Foi através desse exemplo associado com a doutrina da Igreja que todo esse mundo romano foi melhorado e cristianizado , dando origem a era medieval. Jesus vai exercer o seu reino sobre as inteligências, sobre as autoridades para formar esse período da Idade Média apenas seguindo o modelo do evangelho.
Então , com poucos recursos materiais, a Igreja Consegue fundar uma sociedade evoluída e realizar obras que vão ficar por toda a eternidade como as universidades, a organização social, arquitetura, urbanização. Se estudarmos e aplicarmos os princípios da urbanização, a disciplina no exercício da inteligência, o método da ciência, se os aplicarmos, teremos alto grau de sucesso. Isso é o fruto do reino de Jesus através de sua Igreja.
Agora, o demônio não deixou realizar esta obra até o fim e começou a suscitar nos meios intelectuais todo o movimento da Renascença, a revolução. Embora a Igreja tivesse criado todas as condições necessárias para  a cultura, foram exatamente pessoas de dentro desse ambiente que se apoderaram da cultura para fazer a obra revolucionária da Renascença e vão utilizar os meios próximos da Igreja, próximos de Roma, pessoas designadas pelo papa, que entraram nesse projeto que é a revolução, onde se vê triunfar o orgulho humano, que quer destronar Jesus Cristo para endeusar o homem.
Esse empreendimento vai causar a primeira revolução em Roma e depois vai se arrastar para a Alemanha, França e outros países, causando todo um movimento humanista orgulhoso que pretende restaurar o paganismo, retirando todos os esforços da Igreja para cristianizar essa cultura pagã.
Obviamente, várias revoluções vão sair dessa corrente. A primeira revolução é a revolução protestante, depois a maçonaria que vai gerar a revolução francesa e finalmente a revolução materialista comunista. Isso vai ocasionar um novo espírito, que será o espírito moderno. Um espírito que quer se desfazer da tutela da Igreja e que quer fundar uma sociedade sem a participação da Igreja, sem os valores da revelação o que vai ser a maçonaria.  Depois o demônio limitou o esforço que a Igreja, mas apesar desses obstáculos, a Igreja vai continuar a desenvolver essa doutrina do Reino Social de Jesus Cristo, vai criar diversos movimentos sociais católicos para resolver esse problema dramático dos operários que é um problema surgido por causa da revolução pagã, que pretende criar uma sociedade do trabalho sem a moral católica, criar uma identidade econômica sem a doutrina cristã.
Então vamos assistir a uma luta entre a Igreja que vai cada vez mais definir melhor toda sua doutrina social que ela praticou desde o início, mas que com todos os ataques se fará necessária uma definição do valor dessa doutrina social. Em contrapartida, o mundo demonstrará o fracasso social dessa doutrina que quer renegar esse reino de Jesus Cristo. Ou seja, o mundo atual está a nos apresentar uma confirmação da necessidade do reino de Jesus Cristo para que as coisas humanas funcionem.
Viva Cristo Rei.

(Palestra proferida em 29/out/2012 em Campos/RJ)

sábado, 28 de janeiro de 2012

Liberdade Religiosa e Ecumenismo - Dom Mayer

A liberdade religiosa
Assim, sobre a liberdade religiosa, podemos resumir em três itens o ensino oficial do Magistério eclesiástico: a) ninguém pode ser coagido, pela força, a abraçar a Fé Católica; b) o erro não tem direito nem à existência, nem à propaganda, nem à ação; c) este princípio não impede que o culto público das religiões falsas possa ser eventualmente, tolerado pelos poderes civis, em vista de um bem maior a obter-se, ou de um mal maior a evitar-se (Cfr. AL. Pio XII, 6.XII.1953).
Com o princípio de bom senso, que tolera a eventual existência de religiões falsas, a doutrina da Igreja atende mesmo às condições de fato de uma sociedade, religiosamente, pluralista. Não admite, porém, nem poderia admitir, no homem, um direito natural de seguir a religião do seu agrado, prescindindo de seu caráter de verdadeira ou falsa. Aceitar semelhante direito em nome, por exemplo, da dignidade humana, envolve uma profunda inversão da ordem das coisas. Pois, a dignidade do homem que toda ela procede de Deus, passaria a sobrepor-se à obrigação fundamental que tem esse mesmo homem com relação a Deus: a de cultuá-Lo na verdadeira religião.
Outra posição, lesiva dos direitos divinos, está implícita naquele princípio: o Estado deveria ser necessariamente neutro em matéria de religião. Deveria sempre dar plena liberdade de profissão e propaganda a qualquer culto. Atitude esta que contradiz o ensino católico tradicional, uma vez que, criatura de Deus, também a sociedade, como tal, tem o dever de cultuá-Lo na Religião verdadeira, e de não permitir que cultos falsos possam blasfemar o Santíssimo Nome do Senhor (Cfr. Leão XIII, Enc. “Immortale Dei” e “Libertas”). Não é difícil verificar-se que este princípio falsíssimo de liberalismo corre em meios católicos como doutrina oficial.

O Ecumenismo
Intimamente relacionada com a liberdade religiosa está a questão do Ecumenismo como ele é entendido e praticado. A liberdade religiosa que acabamos de ver, dá ao homem pleno direito de seguir sua religião, ainda que falsa, e impõe ao Estado o dever de atender aos cidadãos no uso de semelhante direito. A liberdade religiosa, pois favorece, quando não impõe, o pluralismo religioso.
Ora, acontece que, numa sociedade dilacerada por esse pluralismo, a identidade de origem de todos os homens, os mesmos problemas que resolver, as mesmas dificuldades que enfrentar, despertam nos indivíduos o anseio de buscar uma unidade de fundo religioso, visto que a comunhão na convicção religiosa é um meio excelente de congregar esforços, para a conquista do bem comum e do interesse público. Daí os movimentos visando chegar à união das várias religiões, mediante a aceitação de princípios comuns a todas elas, sem exigir a renúncia às características específicas de cada uma, que continuaria distinta das outras.
Semelhante ecumenismo muitos o restringem às confissões que se dizem cristãs.

(Fragmento da ''Carta Circular sobre a Pureza e Integridade da Fé'', 01 de Junho de 1981, Dom Antônio de Castro Mayer, Bispo de Campos.)

Proteção e Mediação de Maria Santíssima - Dom Mayer

Acenamos, amados filhos, a algumas práticas, através das quais, procura-se instaurar na Igreja um cristianismo novo, destoante daquele que Jesus Cristo veio trazer à terra. Em Nossa Pastoral de 19 de março de 1966, sobre a aplicação dos Documentos conciliares, salientamos o grande perigo que de tais práticas se origina para a fé, intoxicadas, como estão, pela heresia difusa que encontra conivência na mentalidade relativista do mundo moderno. A situação é tão grave, o mal tão profundo, que hoje, mais do que em tempos passados, é necessário o apelo aos meios sobrenaturais da graça. Entregues a nós mesmos, somos incapazes de resistir à onda elevada pelos falsos profetas, e menos ainda de fazê-la amainar, de modo que possam as almas continuar serenamente nas vias da imitação do Divino Salvador.
Recorramos, pois à oração, e especialmente à devoção a Maria Santíssima, Senhora nossa. A Tradição é unânime em apresentá-La como Medianeira de todas as graças, como Mãe terníssima dos cristãos, empenhada na salvação de seus filhos, como interessada na integridade da obra de seu Divino Filho. Nas situações difíceis, em que Se tem encontrado, a Igreja habituou-nos a suplicar o valioso e eficaz auxílio da Santa Mãe de Deus, seja para profligar heresias, seja para impedir que o jugo dos infiéis pesasse sobre os cristãos. Podemos dizer que a Igreja jamais Se achou em crise tão grave e tão radical, como a que hoje alui seus fundamentos desde os seus primeiros alicerces. É sinal de que a proteção de Maria Santíssima se torna mais necessária. A nós compete fazê-la real mediante nossas súplicas à Santa Mãe de Deus. Nesse sentido, renovamos a exortação que fizemos à reza cotidiana do terço do santo Rosário, cuja valia aumentaremos com a imitação das virtudes de que a Virgem Mãe nos dá particular exemplo: a modéstia, o recato, a pureza, a humildade, o espírito de mortificação na renúncia de nós mesmos, e a caridade com que, pelo bom exemplo, como discípulos de Cristo “impregnamos de seu espírito a mentalidade, os costumes, e a vida da cidade terrena” (p.105). Confiamos que a proteção da Santa Mãe de Deus nos conservará a fidelidade à Tradição na nossa profissão de fé e nas nossas práticas religiosas, como nos hábitos de nossa vida católica.
Certo de que tão excelsa proteção jamais nos faltará, enviamos aos Nossos zelosos Cooperadores e amados filhos, Nossa cordial bênção pastoral, em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Dada e passada na Nossa Episcopal Cidade de Campos, sob Nosso sinal e selo de Nossas armas, aos onze dias do mês de abril do ano de mil novecentos e setenta e um, na Santa Páscoa do Senhor.

(Dom Antônio de Castro Mayer, Bispo de Campos dos Goytacazes)

ECUMENISMO - Dom Antônio de Castro Mayer

    ''O Cristianismo é a floração religiosa e cultural da Igreja, instalada na Terra por Jesus Cristo, para continuar sua obra de dar glória a Deus e salvar as almas. Depois de uma gloriosa epopeia, em que venceram o Paganismo e dominaram as heresias, os Apóstolos e seus sucessores converteram em Católico o antigo Império Romano.

 No século XVI, o orgulho de um frade apóstata, Martinho Lutero, quebrou essa unidade, substituindo a palavra oficial da Igreja pelo livre exame com que cada qual entederia a Bíblia Sagrada.

   Por volta de 1910, os emissários protestantes, com ação em terras de Missão, reuniram-se em Edimburgo, com o fim de fixar um meio de evitarem recíprocos obstáculos. Na ocasião, Carlos Brent propôs que se convidassem todos os cristãos a fazer parte desse movimento unicionista. Foi a origem do Movimento ecumênico das igrejas, responsável pelas reuniões de Genebra, Lausane e Edimburgo, Soderbon, o bispo luterano de Upsala iniciou movimento semelhante. Depois da última grande guerra, os dois movimentos reuniram-se no Conselho Mundial das Igrejas (CMI), com sede em Genebra, com representantes praticamente de todas as seitas protestantes e greco-ortodoxas.

A Igreja Católica, por isso é a única verdadeira Igreja de Cristo, jamais fez parte do CMI, e, sem caráter ou atitude hostil, deu, sobre a matéria, orientação doutrinária nas encíclicas ''Mortalium animos'' de Pio XI (06/01/1928) e ''Orientales omnes ecclesias'', de Pio XII (28/12/1945), e orientação disciplinar, na Instrução do Santo Ofício de 20/12/1949.


O Concílio Vaticano II, sob inspiração de Paulo VI, que acusava o Concílio de Trento de ter se afastado da Tradição (cf. Colóqio de Guitton, c. 13), mostreu-se muito liberal no decreto sobre o Ecumenismo. Daí o surgir, no pós-Concílio, nos meios católicos, uma literatura que se desvia dos ensinamentos de Pio XI e Pio XII''.

(Trechos do Artigo ''ECUMENISMO'', de Dom Antônio de Castro Mayer, Monitor Campista, 21/10/1984. pág. 4)

domingo, 22 de janeiro de 2012

O Catolicismo de Hitler

“Só a Igreja se pronunciou claramente contra a campanha hitlerista que suprimia a      liberdade. 
Até então a Igreja nunca tinha chamado minha atenção; hoje, porém, expresso
admiração e meu profundo apreço por esta Igreja que, sozinha, 
teve o valor de lutar pelas liberdades morais e espirituais”
(Albert Einstein no The Tablet de Londes)


1- Introdução
Muito se fala hoje em dia contra a Igreja de Cristo. Um dos mais maliciosos argumentos era o de que A. Hitler fora católico e que suas atrocidades se devem a sua crença. Esse artigo visa esclarecer todos as premissas básicas dessa calúnia para que os católicos não se dispersem na sua fé e para que, principalmente, os anti-católicos se retratem das suas mentiras.
2- Argumentação anti-católica
2.1- Falas de Hitler

  • "Com essa missão, o estado, pela primeira vez, assume sua verdadeira finalidade. Em vez do palavreado irrisório sobre segurança da paz e da ordem, por meios pacíficos, a missão da conservação e do progresso de uma raça superior escolhida por Deus é que deve ser vista como a mais elevada" (Mein Kampf)
  • "Por isso, acredito agora que ajo de acordo com as prescrições do Criador Onipotente. Lutando contra o judaísmo, estou realizando a obra de Deus." (Mein Kampf, pág 46)
  • "Eu acredito que hoje eu estou agindo no sentido de o Criador todo poderoso. Ao repelir os judeus, estou lutando pelo trabalho do senhor." (Discurso no Reichstag)

    Lendo-se

    superficialmente as frases de Hitler, tem-se a impressão de que eleera, assim como Abel, um justo servidor do Senhor e que pretendia realizar no mundo os desígnios desse mesmo Senhor. Poderíamos acreditar, que ele era um católico até conservador, já que nenhum católico liberal coloca como causa de suas ações o Senhor.
2.2- A comunhão de Hitler com o papa
Mesmo que a tese anterior forneça apenas um indício do catolicismo de Hitler, existem argumentos que em conjunto com os anteriores reforçam ainda a tese.








Podemos notar nas fotos acima o encontro de Hitler com o papa. Parece que o papa, não só apoiou o regime, como esteve presente em uma de suas manifestações. Fato consumado. Então parece que, de fato, o nazismo oriundo de Hitler, era oriundo antes de tudo do seu catolicismo, por isso mesmo é que o papa apoiou a Hitler e seu nazismo, por ver naquilo uma expressão do catolicismo. Ainda que discordem, podemos ver na foto abaixo o papa Bento XVI, quando ainda era novo, fazendo uma saudação nazista


    

    
Ora, é inegável que a Igreja, se no mínimo não apoiou o nazismo, pelo menos tinha por ele um forte apreço.


3- Solução dos Problemas
3.1- A Gnose
A gnose é uma corrente mística oriunda da Pérsia e que se define por pelo menos três proposições:
  1. A alma é uma partícula divina;
  2. A vida é a encarnação da partícula divina na matéria;
  3. A matéria é essencialmente má.
As conclusões de se admitir verdadeiras essas proposições são inúmeras. Pode-se concluir que se foi Deus quem encarnou o homem na matéria, tal Deus é mal. A vida, como resultado de uma maldade, é por si mesmo má. Se toda alma é uma partícula divina, não há diferença entre a alma de um animal e uma alma humana, o que produz a desigualdade é a matéria. Por isso mesmo, a razão, a sensação e percepção não passam de "efeitos ilusórios" do mundo material. Enfim, um diversidade de conclusões.

3.2- A Gnose de Hitler
  • "Nós queremos homens livres, que sentem que Deus está neles" (Hitler)
Nota-se claramente nessa outra exclamação de Hitler, a Gnose (proposição 2). Que outra coisa seria essa sensação de Deus nos homens, senão a própria Gnose?

Santo Agostinho que fora outrora um gnóstico da seita dos Maniqueus, denuncia todos os erros desse sistema abominável no seu livro "Contra Manicheos", mas é o doutor angélico que pergunta na Suma contra os Gentios se a alma é uma partícula de Deus.
Nesse artigo, não pretendemos refutar a Gnose. Por isso demos apenas as conclusões de Santo Tomás, que podem ser facilmente encontradas na Suma contra os Gentios. 
Tanto Santo Agostinho quanto São Tomás são doutores da Igreja. Seus raciocínios constituem, portanto, o raciocínio da Igreja. Ora, Hitler não defendia tais raciocínios, não podendo ser fiel a Igreja.

3.2.1- Santo Tomás contra a Gnose, portanto contra Hitler
Na Suma contra os Gentios, Santo Tomás conclui inúmeras proposições. São algumas delas:
  • Como Deus não pode ser forma de nada (demonstrado por ele anteriormente na Suma), alma não pode provir de Deus, já que a alma é forma do corpo (demonstrado anteriormente).
  • Como Deus é ato puro, não pode a alma provir de Deus, já que a alma, (por exemplo) aprende. Quer dizer, passa de potência do conhecer a ato de conhecer.
  • Como Deus é unidade pura e uma só substância, segue-se que é indivisível e que, se fosse divisível, a alma teria em si toda a substância de Deus, assim todos os homens possuiriam a mesma substância e portanto, o mesmo conhecimento e as mesmas virtudes.
  • Como a alma se forma com o corpo (demonstrado anteriormente), segue-se que não é uma partícula divina, já que Deus é anterior ao corpo.



3.3- Hitler contra as religiões
Algumas frases de Hitler, denunciam seu horror as religiões até então existentes.
  • "As religiões? Todas valem umas quanto as outras. Elas não têm, umas e outras, qualquer futuro. Pelo menos quanto aos alemães. O fascismo pode, se quiser, fazer sua paz com a Igreja. Eu farei o mesmo. Por que não? isto não me impedirá de extirpar o cristianismo da Alemanha" (Hitler)Hitler que outrora se demonstrou católico, quer agora extirpar o catolicismo da Alemanha. Como pode ser tão contraditório?


Tal pseudo contradição se resolve da seguinte maneira. As falas humanas não são falas técnicas, de forma que temos que elucidar todo o contexto para compreendermos o seu real significado. Daí, é possível que "ser católico" fosse só uma expressão. O que pode se confirmar por outra fala de Hitler:

  • "Certamente a Igreja foi alguma coisa outrora. Agora, nós somos os seus herdeiros, nós também nós somos uma Igreja"
Fica claro como Hitler se considerava herdeiro da Igreja, aproximadamente da mesma forma que Lutero é também um herdeiro da Igreja. Isso só significa sua ruptura com a Igreja de Cristo. Até mesmo por considerar o Nazismo uma outra Igreja.
Todo Católico diz que fora da Igreja não há salvação. Mas Hitler, o católico, diz que a Igreja ruiu e que a salvação para os alemães está dentro do Nazismo. Por isso que ele afirmara:
  • "À doutrina cristã do primado da consciência individual e da responsabilidade pessoal, eu oponho a doutrina da nulidade do indivíduo e de sua sobrevivência na imortalidade visível da nação. Eu suprimo o dogma da redenção dos homens pelo sofrimento e pela morte de um Salvador divino e proponho um dogma novo da substituição dos méritos: a redenção dos indivíduos pela vida e pela ação do novo Legislador-Führer, que vem aliviar as massas do fardo da liberdade"
Nota-se ainda, que ele não só se retirou da Igreja, como também "desmentiu" a redenção dos homens pelo Cristo. E mais prodigiosamente disse ser ele o redentor dos homens. Talvez por isso se fizesse necessário a fundação de uma nova instituição religiosa. E foi isso mesmo que ele fez.

3.4- Deutschen Christen
Assim que Hitler subiu ao poder, imediatamente pediu a Igreja Evangélica da Antiga união Prussiana para redigir um texto de acordo com os princípios nazistas. A união, que até então não tinha muito prestígio, aceitou e em abril do mesmo ano, apresentou um documento que esculpia a nova religião alemã. Curioso é Hitler ter pedido justamente a uma Igreja Protestante para fazê-lo, já que outrora afirmara:
  • "Por meu intermédio, a igreja Protestante poderia tornar-se a igreja oficial, como na Inglaterra".
A nova religião chamou-se Deutschen Christen ( Cristãos Alemães) e na foto abaixo, podemos vê-la a comemorar em Berlim o dia de Lutero.







    Nenhum católico comemoraria em sã consciência o dia de Lutero. Mas Hitler, o católico, comemorava publicamente. 
3.7- O Nazismo contra a Igreja



3.5- O Anti-semitismo
    Sabendo da admissão gnóstica de Hitler a favor da religião, conclui-se que o Nazismo tinha sim um caráter religioso, mas que sua religião era sobretudo a religião do arianismo. 
     Os hebreus de quem os judeus descendem, são descendentes de Adão e herdam, por isso, seu pecado original. Há contudo, correntes teológicas que negam que Adão tenha sido um homem, mas afirmam que Adão fora um conjunto de homens que teriam pecado. Pe Fábio de Melo pertence a essa corrente, segundo ele mesmo declarou no programa Jô Soares recentemente.
     Ora, se haviam tantos homens na época do pecado de Adão, haviam alguns homens que não pecaram. E é desses homens que descendem a raça ariana. Para Hitler, Cristo descendia da raça ariana. Por isso mesmo é que ele proibiu a redenção de Cristo. Se o povo alemão era ariano, logo não precisaria de nenhuma redenção.
    Ao mesmo tempo, o papa Pio XII declarou que de certa forma, todos os cristãos são semitas, por descenderem dos hebreus. Vemos portanto, como Hitler está em desacordo com tudo o que a Igreja de Cristo prega.


The Jewish News noticiando a ajuda do Vaticano aos judeus italianos


3.6- A Igreja contra o Nazismo
    A Igreja Católica sempre teve um caráter ideológico, por isso sempre condenou idéias. Não seria diferente no período do Nazismo. Sabe-se que o papa Pio XI imediatamente publicou uma encíclica que condena todos os princípios do Nazismo. E ainda escreveu em alemão para que todo povo alemão germânico tivesse acesso. 
     A encíclica "Mit brenneger Sorge" prudentemente não cita as palavras Nazismo e nem Hitler, pois não queria o papa que Hitler iniciasse imediatamente uma perseguição declarada contra a Igreja. Mesmo assim, quando Hitler esteve em Roma, retiraram o pontífice de lá por medo de algum ataque.
     Outro fato interessante é que mediante a criação do nazismo pelo partido de Hitler, a Igreja heretizou todas as suas teses e proibiu sob pena de excomunhão, os católicos de participarem de tal partido, por isso mesmo é que o Nazismo iniciou uma caça a todos os clérigos católicos.

Jornal Milwaukee Sentinel de 22 de março de 1937

3.7- O Nazismo contra a Igreja
Logo após observar que a Igreja de Cristo tinha um poder hierárquico sobre o mundo, Hitler tratou de ameaçar os clérigos. Os sacerdotes e bispos eram todos inimigos do estado alemão e por isso mesmo que ele os aprisionou em campo de concentração. O campo de Dachau, também chamado de campo dos padres por conter aproximadamente 3000 clérigos das mais diferentes posições hierárquicas. Um deles foi beatificado por João Paulo II em 1996. Negar que Hitler caçou e condenou os membros da Igreja é praticamente negar a existência do campo de Dachau, que continha em média um clérigo a cada dez prisioneiros.




Jornal falando da censura de Hitler ao documento "Mit Breneder Sorge"
    

3.8- As fotos
Curiosamente a política anti-cristianismo utiliza dos mesmos meios que o Nazismo utilizara: A propaganda. E propaganda das mais mentirosas. Na ânsia de combater a Igreja, muitos anti-cristãos agem com disfarce e mentira, tal como a serpente fez com Eva. Nota-se que a foto de Bento XVI foi cortada da foto original:




    A mentira não é senão risível, frente aos fatos facilmente peneiráveis diante da internet.



    Na foto acima, podemos ver o ex-presidente americano com judeus ortodoxos. Pode-se concluir através disso que ele era judeu?
    Já na foto em seguida, podemos ver Bento XVI seguido de outros líderes religiosos. Quer dizer que eram todos católicos ou que o catolicismo "fundou" tais religiões?

3.9- Contra as afirmações de Hitler
    "Nem todo aquele que diz "senhor, senhor" entrará no Reino dos Céus."
    As palavras de Cristo são as palavras dos Cristãos. Hitler invoca a todo tempo a palavra "Senhor" para designar seu "mentor". Vimos que seu mentor não passa do demiurgo gnóstico criador do mundo material, mas que ele atrevidamente chama de Deus. Vimos ainda que ele fundara uma outra religião contra a religião de Cristo. Por quais motivos ele teria declarado-se católico?
    Hitler adorava o Romantismo alemão. Tanto adorava que declarou após assistir Rienzie, do compositor romântico anti-semita Richard Wagner, que finalmente tinha conseguido sintetizar toda a idéia do nazismo. Alguns documentários afirmam que Hitler teria assistido Rienzie mais de 40 vezes. Devia ser ele mesmo um profundo entendedor da obra.
     Então como levar tecnicamente as palavras de um romântico que só afirmava incongruências ideológicas? Um cínico ou um ingênuo o poderiam, mas sob o olhar crítico da história, nenhum homem racionalmente o pode.


4-Conclusão

     Dizer que Hitler era Cristão somente levando em conta suas próprias afirmações é como dizer que o gato abaixo é um coelho pelas mesmas razões.



5- Bibliografia
http://www.portalateu.com/2010/09/17/palavra-de-ateista/
http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/5667
http://www.ilgiornale.it/interni/le_bugie_anticattoliche_ecco_bufala_foto__di_ratzinger_nazista/12-06-2010/articolo-id=452472-page=0-comments=1
http://en.wikipedia.org/wiki/German_Christians
http://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_de_concentra%C3%A7%C3%A3o_de_Dachau
http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=historia&artigo=20060218152655&lang=bra
http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=historia&artigo=19991218001716&lang=bra
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090404100909AAlj6J0
http://news.google.com/newspapers?id=fhlQAAAAIBAJ&sjid=Ng0EAAAAIBAJ&pg=6430%2C4227971&dq=pope+pius+nazi&hl=en
http://revistavilanova.com/deu-no-jornal-papa-condena-o-nazismo-e-veementemente/
Santo Tomás - Suma contra Gentios pág 687 e 688- Editora BAC

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Errare humanu est, perserverare diabolicum

Este texto recebeu a aprovação do Mons. Bernard Fellay

Tradução por: Adilson Almeida

Superior Geral da FSSPX



A Renovação do escândalo de Assis

Errare humanu est, perserverare diabolicum


Pe. Régis de Cacqueray

Superior do Distrito da França


O que vai se passar nesse 27 de outubro de 2011? Um simples encontro amigável entre pessoas de boa fé? Uma discussão informal sobre a divindade de Cristo e de sua Igreja? Não, a renovação, pelo papa reinante, Bento XVI, do escândalo sem precedente realizado por seu predecessor, João Paulo II, em 27 de outubro de 1986.

O que acontecerá nesse 27 outubro de 2011? O apelo à conversão à fé católica? As declarações do papa deixam claramente entendido o que será essa jornada: a reunião dos representantes de todas as falsas religiões, chamados pelo papa pessoalmente para uma jornada de reflexão onde todos são convidados a rezari pela paz.

Certamente, diferente da primeira reunião de Assis, a oração parece que deve ser silenciosa, mesmo com tantos presentes. Mas para qual deus rezarão em silêncio esses representantes de todas as falsas religiões? A qual deus rezarão senão aos falsos deuses, pois que o papa os convida explicitamente a vier mais profundamente “sua fé religiosa”ii? Para onde, pois, se voltarão os muçulmanos, senão para o deus de Maomé? A quem se dirigirão os animistas, senão a seus ídolos? Como, pois, pode-se conceber que um papa chame os representantes das falsas religiões, enquanto tais, a participar de uma jornada de oração pessoal? Esse ato do soberano pontífice constitui, por este mesmo fato, uma terrível blasfêmia a Deus, assim como uma ocasião de escândalo para os homens do mundo inteiro.


Uma ofensa ao Deus trino e encarnado


Como se poderia qualificar de outro modo essa feira de religiões que ofende gravemente o primeiro mandamento: “Adorarás o Senhor teu Deus e não renderás culto senão a Ele somente”iii?

Como imaginar que Deus se apraz nas orações de judeus fiéis a suas orações que crucificaram Seu Filho e negam o Deus Trino?

Como Ele poderá atender as orações dirigidas a Alá, cujos discípulos não cessam de perseguir os cristãos?

Como Ele poderá aceitar os sufrágios de todos os hereges, cismáticos e apóstatas que renegaram Sua Igreja, nascida do lado aberto de Seu Filho?

Como Ele poderá ser honrado com culto oferecido aos ídolos por todos os animistas, panteístas e outros idólatras?

Como Ele poderá ouvir essas orações quando Seu Filho nos indicou claramente o contrário: “Ninguém vai ao Pai sem passar por mim”iv?

Almas de boa fé que rezam a Deus na heresia ou na infidelidade é uma coisa; Deus reconhecerá os seus e os guiará para a única e verdadeira Igreja. Mas convidar esses homens a rezar, enquanto representantes das falsas religiões, segundo “sua fé religiosa”, não é sinal manifesto de que são convidados a rezar segundo o espírito e as fórmulas de sua falsa religião?

Como, então, não ver nisso a injúria suprema lançada na face do Deus três vezes santo? Como não ficar profundamente indignado à vista de tal escândalo? Como se calar sem se mostrar cúmplice?


A paz de Cristo deformada


Esse pecado gravíssimo ofende por demasiado a paz de Jesus Cristo. O papa chama a rezar pela paz. Mas qual é essa paz pedida pelo papa? É a cessação dos conflitos que dilaceram o mundo? Mas se crê verdadeiramente que a oração aos falsos deuses vai nos merecer, não o castigo, mas o benefício de uma paz inteiramente humana? Esquece-se do dilúvio dos primeiros tempos? Perdeu-se a lembrança da destruição de Sodoma e de Gomorra, cujo crime foi menos grave que os das almas incrédulasv? Retirou-se do Evangelho e da História a destruição sangrenta de Jerusalém, preço dos pecados de Seu povo?

Além disso, para que nos servirá comprar uma paz temporal, se viermos a perder nossa alma? “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, e depois nada mais podem fazer (...) temei aquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno”vi. Aliás, como não ver nessa oração pela paz um desvio sem dúvida inconsciente, mas pérfido e para fins ecumênicos, da aspiração legítima de todo homem à paz civil? Não, a paz trazida por Cristo não poderia ser esta paz do mundo, esta paz maçônica selada pela liberdade de consciência.

Porque, na realidade, a paz pedida com todos esses votos pelo pontífice atual não é apenas paz temporal, é, sobretudo, a liberdade religiosavii, a liberdade de consciência, condenada tantas vezes pelos papasviii. Eis a intenção de oração indicada pelo papa, eis a paz pedida pelo papa: a paz temporal obtida pela liberdade de consciência.

Essa é a paz de Jesus Cristo? Daquele que morreu na Cruz para afirmar sua divindade? A paz de Cristo é totalmente outra, tão distante dessa paz maçônica quanto à caridade o é da fraternidade. A paz de Cristo é a paz com Deus, fruto da redenção das almas pelo Sangue de Seu Filho e da renúncia ao pecado pelos homens. Quanto à paz civil comunicada por Cristo, não é outra senão o fruto de uma civilização cristã, toda modelada pela fé e pela caridade católicas.


Uma odiosa humilhação da Igreja


Mas se o Deus trino e a humanidade de Cristo são gravemente ofendidos por esse convite ao pecado, a Esposa imaculada de Cristo, sua única Igreja católica, é humilhada publicamente. É escarnecido o ensinamento dos Apóstolos, dos papas, dos Padres da Igreja, dos santos, dos mártires, dos príncipes e dos heróis católicos. Escarnecido o ensinamento do salmista segundo o qual “todos os deus das nações são demônios”ix, escarnecida a ordem formal de São João de não saldar os heréticosx, escarnecido o ensinamento de um Gregório XVI ou de um Pio IXxi para os quais a liberdade de consciência é um “delírio”, escarnecida a proibição formal dos papas Leão XIIIxii e Pio XIxiii de organizar ou de participar de congressos inter-religioso, escarnecido o martírio de um Polyeucte recusando sacrificar aos ídolos, escarnecido o exemplo de um São Francisco de Sales escrevendo suas Controversas a fim de converter o herético protestante, escarnecidos os milhares de missionários tendo tudo abandonado para salvar a alma dos infiéis, escarnecido o gesto heroico de um Charles Martel detendo o Islão em Poitiers, de um Godofredo de Bouillon forçando a entrada de Jerusalém com sua lança e sua espada, escarnecida a honra de um São Luís punindo a blasfêmia.

Como o católico moldado pelo espírito de Assis poderá ainda subscrever o dogma “Fora da Igreja não há salvação”? Como ele verá na Igreja católica, a somente e única arca da salvação? Ademais, esse escândalo vem da mais alta autoridade sagrada que existe sobre a terra, do vigário do próprio Jesus Cristo, como se a gravidade de tal reunião não bastasse. Não se pode considerar o papa, presidindo esta reunião, não o chefe da Igreja católica, mas o chefe de uma Igreja da ONU, o primus inter pares de uma religião de todas as religiões, essencialmente idêntica ao culto maçônico do Grande Arquiteto do Universo? Não é isso uma perversão satânica da missão de Pedro? Enquanto Cristo solenemente ordenou a Pedro “confirmar seus irmãos na fé” e de apascentar suas ovelhas, o sucessor de Pedro vai de fato confirmar seus irmãos no indiferentismo e no relativismo.


Um escândalo imenso


Porque, além de uma terrível blasfêmia, essa decisão pessoal do Papa vai engendrar um imenso escândalo na alma dos católicos e dos não-católicos. Diante da imagem de um papa reunindo os representantes de todas as falsas religiões, a reação da maioria dos homens será de relativizar ainda mais a verdade e a religião. Qual o homem, pouco familiarizado com doutrina católica, não será tentado a se tranquilizar com o destino dos não-católicos, quando ele vir o papa convidar esses últimos a rezar pela liberdade de consciência? Qual o não-cristão verá na religião católica a única e verdadeira religião à exceção de todas as outras, quando ele souber que o chefe da Igreja católica reúne um panteão de religiões? Como ele interpretará a exortação do papa a não ceder ao relativismoxiv, senão pensando que se trata não de estar na verdade, mas de ser sincero?

Como ele, ao contrário, não interpretará, em um sentido relativista, esse convite explícito do Santo Padre a praticar do melhor meio possível sua religião: “... eu estarei, no mês de outubro próximo como peregrino na cidade de São Francisco, convidando a se unir a essa caminhada nossos irmãos cristãos das diversas confissões, as autoridades das tradições religiosas do mundo, e de maneira ideal, todos os homens de boa vontade, no objetivo (...) de renovar solenemente o compromisso de crentes de cada religião a viver sua fé religiosa como serviço para a causada paz”xv? Em 1986, um jornalista publicava esta significativa conclusão: “O papa inventa e preside a ONU das religiões: o que creem na Eterna, os que creem mil deuses, os que não creem em nenhum deus. Visão estapafúrdia! João Paulo II admite espetacularmente a relatividade da fé cristã que não é mais do que uma entre as outras”xvi. Como imaginar que esse julgamento não seja partilhado com vários homens na noite de 27 de outubro de 2011?

É por isso que não nos parece singularmente estranho querer escusar o papa de tal pecado pelo fato de que Assis 2011 seria diferente de Assis 1986. Tudo concorre, ao contrário, a nos convencer de uma surpreendente continuidade entre a reunião de Assis de 1986 e esta de 2011:

A natureza da reunião: um convite aos representantes das falsas religiões a estarem juntos para refletir e rezar pela paz.

O motivo: a paz civil promovida pela ONU. Em 1986, João Paulo II havia convidado todas as religiões “nesse ano de 1986 escolhido pela ONU como ano da paz, para promover uma reunião especial de oração pela paz na cidade de Assis”xvii. Quando de sua mensagem pela paz datada de 1º de janeiro de 2011, dia do anúncio da reunião de Assis em 27 de outubro de 2011, Bento XVI assinava estas reveladoras linhas: “Sem essa experiência original [das grandes religiões], orientar as sociedades para princípios éticos universais revela-se penoso e torna-se difícil colocar em ordem regramentos nacionais e internacionais em que os direitos e as liberdades fundamentais possam ser plenamente reconhecidos e posto em obra como o são propostos os objetivos – infelizmente ainda negligenciados ou contraditos – da Declaração universal dos Direitos do homem de 1948. (...) Tudo isso é necessário e é coerente com o respeito da dignidade e do valor da pessoa humana, respeito garantido pelos povos da terra na Caridade da Organização das Nações Unidas de 1945”xviii.

Como o escreve Mons. Fellay a João Paulo II, quando do segundo escândalo de Assis em 1999: “os temas humanistas, terrenos, naturalistas desses encontros fazem declinar a Igreja da sua divina, eterna e sobrenatural missão, ao nível dos ideais maçônicos de uma paz mundial fora do único Príncipe da Paz, Nosso Senhor Jesus Cristo”xix.

A data: Bento XVI toma essa iniciativa exatos 25 anos após a festa de Assis: “Em 2011será a festa do 25º aniversário da Jornada mundial de oração pela paz, convocada em 1986 (...) em Assis (...). A lembrança dessa experiência é um motivo de esperança em um futuro onde todos os crentes se sentem e se tornam efetivamente artesãos de justiça e de paz”xx. Não está aí o sinal claro de uma evidente continuidade? Não é uma maneira de querer fazer reviver em nossos espíritos a lembrança penosa dos escândalos do Buda sobre o tabernáculo da igreja São Pedro; das galinhas sacrificadas aos deuses sobre o altar de Santa Clara; do vigário de Cristo ao lado do Dalai-Lama e de um Patriarca ortodoxo sob as botas da KGB? É preciso, pois, celebrar solenemente o aniversário de um evento se se quer distinguir claramente? Porque proclamar Urbi et Orbi que “a lembrança dessa experiência é um motivo de esperança”? Apenas a traição dos bien-pensants pode permitir se curvar assim a facexxi.

O chamado de seu predecessor: como se ele quisesse dissipar todo equívoco possível e lembrar, a que quer ouvi-lo, sua fidelidade ao espírito do primeiro Assis: “... neste ano de 2011, será celebrado o 25º aniversário da Jornada mundial de oração pela paz que o venerável João Paulo II convocou em Assis em 1986”xxii.

Até mesmo os defensores do papa utilizam os mesmos argumentos para tentar justificar o injustificável. Uma vez defendia Assis distinguindo subtilmente “estar juntos para rezar” e “rezar juntos”. Hoje se dirá que não haverá oração comum, mas uma jornada comum de oração? No lugar de negar a concomitância das orações silenciosas, dirão-nos que cada um reza separadamente segundo sua religião? Como se essas distinções especiosas não fossem forjadas para as necessidades da causa. Como se essas subtilezas fossem imediatamente incluídas pelo conjunto dos homens que não reterão senão uma coisa: um encontro de todas as religiões para rezar cada divindade, abstração feita de toda a Revelação.

Definitivamente, e como a maioria dos gestos do papa atual em relação a seu predecessor, o escândalo de Assis 2011 será substancialmente o mesmo, mas menos espetacular do que Assis 1986. Assim aos que nos acusariam mais uma vez de faltar com a caridade por essas linhas veementes, recordamo-lhes as palavras de Cristo: “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as forças e a teu próximo como a ti mesmo”. Será que amar a Cristo com um amor ardente é não denunciar a blasfêmia e criticar os que desagradam? Será que amar o seu próximo é não o advertir do grave escândalo que o ameaça? Esse é o amor pedido por Cristo? Não, como o lembrava São Pio X nas horas sombrias: “A doutrina católica nos ensina que o primeiro dever da caridade não está na tolerância das convicções errôneas, por sinceras que sejam , nem da indiferença teórica e prática pelo erro ou o vício, em que vemos mergulhados nossos irmãos, mas no zelo pela sua restauração intelectual e moral, não menos que por seu bem-estar material. Esta mesma doutrina católica nos ensina também que a fonte do amor do próximo se acha no amor de Deus, Pai comum e fim comum de toda a família humana, no amor de Jesus Cristo, do qual somos membros a tal ponto que consolar um infeliz é fazer o bem ao próprio Jesus Cristo. Qualquer outro amor é ilusão ou sentimento estéril e passageiro. Certamente, a experiência humana aí está, nas sociedades pagãs e leigas de todos os tempos, para provar que, em certos momentos, a consideração dos interesses comuns ou da semelhança de natureza pesa muito pouco diante das paixões e concupiscências do coração. Não, Veneráveis Irmãos, não existe verdadeira fraternidade fora da caridade cristã”xxiii.


Então de que Igreja somos nós?


Da Igreja de São Policarpo de Esmirna, que respondeu ao herético Marcion perguntando-lhe se ele o reconhecia: “Sim, eu te reconheço por filho mais velho do diabo”?

Somos da Igreja de São Martinho que quebrava os ídolos e as árvores sagradas de nossas florestas?

Somos da Igreja de São Bernardo que pregava a cruzada a nossos pais?

Somos da Igreja de São Pio V, que, não se contentando em rezar o rosário, chamou os príncipes cristãos a guerrear vigorosamente contra os maometanos?

Somos desta Igreja dos santos e dos mártires ou da Igreja dos Pilatos, dos Cauchon, dos Lamennais, dos Teilhard de Chardin sempre prontos a cortejar o mundo e a entregar Cristo e seus discípulos a seus detratores?

Julgaremos Assis com os olhos da fé, dos papas e dos mártires, ou com os olhos do mundano, do liberal e do modernista?

É por isso que não podemos nos calar, e, enquanto o papa se prepara para um dos atos mais graves de seu pontificado, clamamos vigorosa e publicamente nossa indignação, esperando e suplicando ao Céu que esse infortúnio tão bem preparado não venha a acontecer. Enfim, como não pensar nas palavras de Mons. Lefebvre relembrado por Mons. Fellay em 1999 em sua carta ao papa: “Mons. Lefebvre reconheceu no funesto evento de Assis um dos “sinais dos tempos”, que permitiam proceder legitimamente às sagrações episcopais em Vosso consentimento e Vos escreve que “o tempo de uma franca colaboração ainda não havia chegado”xxiv. Ao contrário, chegou a hora de reparar esse escândalo, de fazer penitência guardando no coração a firme esperança que malogrados os progressos do Mistério da Iniquidade, “as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja”.



Padre Régis de Cacqueray, 12 de setembro de 2011, festa do Santíssimo Nome de Maria, aniversário da vitória dos exércitos católicos sobre as tropas muçulmanas em Viena em 1683.


Fonte: http://www.laportelatine.org/district/france/bo/cacqueray_assise110912/scandale_assise2011.php#_ftnref1



Notas:

i O desenvolvimento da jornada e o comunicado da Santa Sé não deixam nenhuma dúvida sobre a dimensão religiosa do evento: “... o Santo Padre pretende convocar, em 27 de outubro próximo, uma jornada de reflexão, de diálogo e de oração pela paz e pela justiça no mundo. (...) Um momento de silêncio se seguirá para a oração e a reflexão de cada um. Ao meio-dia, todos os que estiverem presentes em Assis participarão de uma caminhada que seguirá em direção à Basílica de São Francisco. Será uma peregrinação na qual tomarão parte, como última etapa, todos os membros das delegações; assim, entende-se simbolizar a caminhada de cada ser humano na busca assídua da verdade e da construção da justiça e da paz. Ela será realizada em silêncio, deixando o momento para a oração e a meditação pessoal”. Comunicado da imprensa da Santa Sé de 2 de abril de 2011: uma jornada de reflexão, de diálogo e de oração pela paz e pela justiça no mundo – “Peregrinos da verdade, peregrinos da paz” (Assis, 27 de outubro de 2011).

ii O objetivo anunciado pelo papa é de “renovar solenemente compromisso dos crentes de cada religião a viver sua fé religiosa como serviço pela causa da paz”. Bento XVI, ângelus, Praça São Pedro, Sábado, 1º de janeiro de 2011.

iii Deut. 6, 13, Mat. 4, 10.

iv Jo. 14, 6, Cf. igualmente 1Jo. 2, 23: “Todo aquele que nega o Filo, também não reconhece o Pai”.

v “Se não vos receberem nem ouvirem as vossas palavras, ao sair para fora daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo: será menos punida no dia do juízo a terra de Sodoma e Gomorra, do que aquela cidade” (Mt. 10, 14-15).

vi Lc. 12, 4-5)

vii “... é a Jornada mundial da paz, uma ocasião propícia para refletir juntos sobre os grandes desafios que nossa época põe diante da humanidade. Um dos quais, dramaticamente urgente de nossos dias, é o da liberdade religiosa; é por isso que eu quis esse ano consagrar minha Mensagem a esse tema: “A liberdade religiosa, caminho para a paz (...) na Mensagem de hoje para a Jornada mundial da paz, salientei a maneira como as grandes religiões podem constituir um fator importante de unidade e de paz para família humana, e lembrei nessa ocasião que nesse ano de 2011, se festejará o 25º aniversário da Jornada mundial de oração pela paz que o venerável João Paulo II convocou em Assis em 1986. É a razão pela qual eu estarei, no mês de outubro próximo como peregrino na cidade de São Francisco, convidando a se unir a essa caminhada nossos irmãos cristãos das diversas confissões, as autoridades das tradições religiosas do mundo”. Bento XVI, ângelus, Praça São Pedro, Sábado, 1º de janeiro de 2011.

viii “Dessa fonte lodosa do indiferentismo promana aquela sentença absurda e errônea, digo melhor disparate, que afirma e defende a liberdade de consciência” Gregório XVI, Mirari vos, 1832.

ix Sl 95, 5.

x “Se alguém vem a vós e não traz esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis, porque quem o saúda, participa das suas obras más” (2Jo. 10-11).

xi Cf. Syllabus, 1864, proposição condenada n.º 79, DS 2979: “É falso que a liberdade civil de todos os cultos e o pleno poder concedido a todos de manisfestarem clara e publicamente as suas opiniões e pensamentos produza corrupção dos costumes e dos espíritos dos povos, como contribua para a propagação da peste do Indiferentismo”.

xii Por ocasião do congresso das religiões de Chicago em 1893.

xiii “Sabendo perfeitamente que é extremamente raro encontrar homens absolutamente desprovidos de senso religioso, eles nutrem a esperança de que se poderia facilmente conduzir os povos, apesar de suas dissidências religiosas, a se unirem na pro­fissão de certas doutrinas admitidas como um fundamento comum de vida espiritual. Em consequência, eles têm congressos, reuniões, conferências frequentadas por­ um número bem considerável de auditores; convidam para as discussões todos os homens indistintamente, os infiéis de toda categoria, os fiéis, e até aqueles que têm a infelicidade de serem separados de Cristo, ou que negam asperamente e obstinadamente a divindade de sua natureza e de sua missão. Esforços semelhantes não têm qualquer direito à aprovação dos católicos, pois se baseiam nessa opinião errada de que todas as religiões são mais ou menos boas e louváveis, neste sentido de que elas revelam e traduzem todas igualmente - embora de uma maneira diferente - o sentimento natural e inato que nos leva a Deus e nos inclina com respeito diante de seu poder. Além de se perderem em pleno erro, os participantes dessa opinião repelem com o mesmo golpe a religião verdadeira; eles falsificam sua noção e se dirigem pouco a pouco para o naturalismo e o ateísmo. É perfeitamente evidente que se trata de abandonar inteiramente a religião divinamente revelada e se unir aos partidários e propagandistas de tais doutrinas.” Pie XI, Mortalium animos, 6 de janeiro de 1928.

xiv Isso poderá ser feito “sem renunciar a sua própria identidade ou ceder a formas de sincretismo” comunicado da imprensa da Santa Sé de 2 de abril de 2011: Uma jornada de reflexão, de diálogo e de oração pela paz e pela justiça no mundo – “Peregrinos da verdade, peregrinos da paz” (Assis, 27 de outubro de 2011).

xv Bento XVI, ângelus, Praça São Pedro, Sábado, 1º de janeiro de 2011.

xvi Le Figaro Magazine, 31 de outubro 1986, p. 69.

xvii Observatore Romano, 27-28 de janeiro de 1986.

xviii Mensagem de S. Santidade Bento XVI pela celebração da jornada mundial da paz 1º de janeiro de 2011, n.° 12

xix Carta de Mons. Fellay a João Paulo II protestando solenemente contra a renovação do escândalo de Assis em Roma em 28 de outubro de 1999.

xx Mensagem de S. Santidade Bento XVI pela celebração da jornada mundial da paz 1º de janeiro de 2011, n.° 7 e 11.

xxi “É bom se elevar acima da altivez. Também é necessário alcançá-la. Eu não tenho direito de falar livremente sobre a honra como o mundo, isso não é um tema de conversa para um pobre padre como eu, mas acho que às vezes vende-se muito facilmente a honra. Ai! Todos nós somos capazes de dormir na lama, a lama parece fresca aos corações exaustos. E a vergonha, vós sabeis, é um sono como qualquer outro, um sono pesado, uma embriaguez sem sonhos. Se um último resquício de orgulho deve colocar de pé um infeliz, por que observar assim de tão perto?” Bernanos, Journal d’un curé de campagne, Plon, 1936, p. 245.

xxii Bento XVI, angelus, Praça São Pedro, Sábado, 1º de janeiro de 2011. Cf. igualmente o Comunicado da imprensa da Santa sé de 2 de abril de 2011: Uma jornada de reflexão, de diálogo e de oração pela paz e pela justiça no mundo – “Peregrinos da verdade, peregrinos da paz” (Assis, 27 de outubro de 2011). “A imagem da peregrinação resume, pois, o sentido do evento que será celebrado, faz observar o comunicado: serão recordadas etapas que demarcarão o percurso, do primeiro encontro de Assis, ao de janeiro de 2002 e, ao mesmo tempo, com o olhar para o futuro com a intenção de continuar, com todos os homens e mulheres de boa vontade, a marchar no caminho do diálogo e da fraternidade, em um mundo em rápida mutação”. Já em 2007, quando das jornadas inter-religiosas de Nápoles, Bento XVI dissipava toda ilusão de uma vontade arrependimento da primeira reunião de Assis: essa reunião “nos remete em espírito a 1986, quando meu venerável Predecessor João Paulo II convida sobre a colina de São Francisco os altos Representantes religiosos a rezar pela paz, sublinhando nessa circunstância o laço intrínseco que une uma autêntica atitude religiosa com uma via sensibilidade para o bem fundamental da humanidade (...) No respeito das diferenças das diversas religiões, somos todos chamados a trabalhar pela paz” Bento XVI “Discurso aos chefes religiosos participantes do encontro internacional pela paz, em 21 de outubro de 2007, em DC, n° 2391 (2 de dezembro de 2007), p. 1037-1038.

xxiii São Pio X, Carta encíclica Notre Charge apostolique ao episcopado francês, 25 de agosto de 1910, in Documents pontificaux de S.S. Saint Pie X, tomo II, Publicação do Courrier de Rome, 1993, p. 259.

xxiv Carta de Mons. Fellay a João Paulo II protestando solenemente contra a renovação do escândalo de Assis em Roma em 28 de outubro de 1999.