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domingo, 22 de janeiro de 2012

O Catolicismo de Hitler

“Só a Igreja se pronunciou claramente contra a campanha hitlerista que suprimia a      liberdade. 
Até então a Igreja nunca tinha chamado minha atenção; hoje, porém, expresso
admiração e meu profundo apreço por esta Igreja que, sozinha, 
teve o valor de lutar pelas liberdades morais e espirituais”
(Albert Einstein no The Tablet de Londes)


1- Introdução
Muito se fala hoje em dia contra a Igreja de Cristo. Um dos mais maliciosos argumentos era o de que A. Hitler fora católico e que suas atrocidades se devem a sua crença. Esse artigo visa esclarecer todos as premissas básicas dessa calúnia para que os católicos não se dispersem na sua fé e para que, principalmente, os anti-católicos se retratem das suas mentiras.
2- Argumentação anti-católica
2.1- Falas de Hitler

  • "Com essa missão, o estado, pela primeira vez, assume sua verdadeira finalidade. Em vez do palavreado irrisório sobre segurança da paz e da ordem, por meios pacíficos, a missão da conservação e do progresso de uma raça superior escolhida por Deus é que deve ser vista como a mais elevada" (Mein Kampf)
  • "Por isso, acredito agora que ajo de acordo com as prescrições do Criador Onipotente. Lutando contra o judaísmo, estou realizando a obra de Deus." (Mein Kampf, pág 46)
  • "Eu acredito que hoje eu estou agindo no sentido de o Criador todo poderoso. Ao repelir os judeus, estou lutando pelo trabalho do senhor." (Discurso no Reichstag)

    Lendo-se

    superficialmente as frases de Hitler, tem-se a impressão de que eleera, assim como Abel, um justo servidor do Senhor e que pretendia realizar no mundo os desígnios desse mesmo Senhor. Poderíamos acreditar, que ele era um católico até conservador, já que nenhum católico liberal coloca como causa de suas ações o Senhor.
2.2- A comunhão de Hitler com o papa
Mesmo que a tese anterior forneça apenas um indício do catolicismo de Hitler, existem argumentos que em conjunto com os anteriores reforçam ainda a tese.








Podemos notar nas fotos acima o encontro de Hitler com o papa. Parece que o papa, não só apoiou o regime, como esteve presente em uma de suas manifestações. Fato consumado. Então parece que, de fato, o nazismo oriundo de Hitler, era oriundo antes de tudo do seu catolicismo, por isso mesmo é que o papa apoiou a Hitler e seu nazismo, por ver naquilo uma expressão do catolicismo. Ainda que discordem, podemos ver na foto abaixo o papa Bento XVI, quando ainda era novo, fazendo uma saudação nazista


    

    
Ora, é inegável que a Igreja, se no mínimo não apoiou o nazismo, pelo menos tinha por ele um forte apreço.


3- Solução dos Problemas
3.1- A Gnose
A gnose é uma corrente mística oriunda da Pérsia e que se define por pelo menos três proposições:
  1. A alma é uma partícula divina;
  2. A vida é a encarnação da partícula divina na matéria;
  3. A matéria é essencialmente má.
As conclusões de se admitir verdadeiras essas proposições são inúmeras. Pode-se concluir que se foi Deus quem encarnou o homem na matéria, tal Deus é mal. A vida, como resultado de uma maldade, é por si mesmo má. Se toda alma é uma partícula divina, não há diferença entre a alma de um animal e uma alma humana, o que produz a desigualdade é a matéria. Por isso mesmo, a razão, a sensação e percepção não passam de "efeitos ilusórios" do mundo material. Enfim, um diversidade de conclusões.

3.2- A Gnose de Hitler
  • "Nós queremos homens livres, que sentem que Deus está neles" (Hitler)
Nota-se claramente nessa outra exclamação de Hitler, a Gnose (proposição 2). Que outra coisa seria essa sensação de Deus nos homens, senão a própria Gnose?

Santo Agostinho que fora outrora um gnóstico da seita dos Maniqueus, denuncia todos os erros desse sistema abominável no seu livro "Contra Manicheos", mas é o doutor angélico que pergunta na Suma contra os Gentios se a alma é uma partícula de Deus.
Nesse artigo, não pretendemos refutar a Gnose. Por isso demos apenas as conclusões de Santo Tomás, que podem ser facilmente encontradas na Suma contra os Gentios. 
Tanto Santo Agostinho quanto São Tomás são doutores da Igreja. Seus raciocínios constituem, portanto, o raciocínio da Igreja. Ora, Hitler não defendia tais raciocínios, não podendo ser fiel a Igreja.

3.2.1- Santo Tomás contra a Gnose, portanto contra Hitler
Na Suma contra os Gentios, Santo Tomás conclui inúmeras proposições. São algumas delas:
  • Como Deus não pode ser forma de nada (demonstrado por ele anteriormente na Suma), alma não pode provir de Deus, já que a alma é forma do corpo (demonstrado anteriormente).
  • Como Deus é ato puro, não pode a alma provir de Deus, já que a alma, (por exemplo) aprende. Quer dizer, passa de potência do conhecer a ato de conhecer.
  • Como Deus é unidade pura e uma só substância, segue-se que é indivisível e que, se fosse divisível, a alma teria em si toda a substância de Deus, assim todos os homens possuiriam a mesma substância e portanto, o mesmo conhecimento e as mesmas virtudes.
  • Como a alma se forma com o corpo (demonstrado anteriormente), segue-se que não é uma partícula divina, já que Deus é anterior ao corpo.



3.3- Hitler contra as religiões
Algumas frases de Hitler, denunciam seu horror as religiões até então existentes.
  • "As religiões? Todas valem umas quanto as outras. Elas não têm, umas e outras, qualquer futuro. Pelo menos quanto aos alemães. O fascismo pode, se quiser, fazer sua paz com a Igreja. Eu farei o mesmo. Por que não? isto não me impedirá de extirpar o cristianismo da Alemanha" (Hitler)Hitler que outrora se demonstrou católico, quer agora extirpar o catolicismo da Alemanha. Como pode ser tão contraditório?


Tal pseudo contradição se resolve da seguinte maneira. As falas humanas não são falas técnicas, de forma que temos que elucidar todo o contexto para compreendermos o seu real significado. Daí, é possível que "ser católico" fosse só uma expressão. O que pode se confirmar por outra fala de Hitler:

  • "Certamente a Igreja foi alguma coisa outrora. Agora, nós somos os seus herdeiros, nós também nós somos uma Igreja"
Fica claro como Hitler se considerava herdeiro da Igreja, aproximadamente da mesma forma que Lutero é também um herdeiro da Igreja. Isso só significa sua ruptura com a Igreja de Cristo. Até mesmo por considerar o Nazismo uma outra Igreja.
Todo Católico diz que fora da Igreja não há salvação. Mas Hitler, o católico, diz que a Igreja ruiu e que a salvação para os alemães está dentro do Nazismo. Por isso que ele afirmara:
  • "À doutrina cristã do primado da consciência individual e da responsabilidade pessoal, eu oponho a doutrina da nulidade do indivíduo e de sua sobrevivência na imortalidade visível da nação. Eu suprimo o dogma da redenção dos homens pelo sofrimento e pela morte de um Salvador divino e proponho um dogma novo da substituição dos méritos: a redenção dos indivíduos pela vida e pela ação do novo Legislador-Führer, que vem aliviar as massas do fardo da liberdade"
Nota-se ainda, que ele não só se retirou da Igreja, como também "desmentiu" a redenção dos homens pelo Cristo. E mais prodigiosamente disse ser ele o redentor dos homens. Talvez por isso se fizesse necessário a fundação de uma nova instituição religiosa. E foi isso mesmo que ele fez.

3.4- Deutschen Christen
Assim que Hitler subiu ao poder, imediatamente pediu a Igreja Evangélica da Antiga união Prussiana para redigir um texto de acordo com os princípios nazistas. A união, que até então não tinha muito prestígio, aceitou e em abril do mesmo ano, apresentou um documento que esculpia a nova religião alemã. Curioso é Hitler ter pedido justamente a uma Igreja Protestante para fazê-lo, já que outrora afirmara:
  • "Por meu intermédio, a igreja Protestante poderia tornar-se a igreja oficial, como na Inglaterra".
A nova religião chamou-se Deutschen Christen ( Cristãos Alemães) e na foto abaixo, podemos vê-la a comemorar em Berlim o dia de Lutero.







    Nenhum católico comemoraria em sã consciência o dia de Lutero. Mas Hitler, o católico, comemorava publicamente. 
3.7- O Nazismo contra a Igreja



3.5- O Anti-semitismo
    Sabendo da admissão gnóstica de Hitler a favor da religião, conclui-se que o Nazismo tinha sim um caráter religioso, mas que sua religião era sobretudo a religião do arianismo. 
     Os hebreus de quem os judeus descendem, são descendentes de Adão e herdam, por isso, seu pecado original. Há contudo, correntes teológicas que negam que Adão tenha sido um homem, mas afirmam que Adão fora um conjunto de homens que teriam pecado. Pe Fábio de Melo pertence a essa corrente, segundo ele mesmo declarou no programa Jô Soares recentemente.
     Ora, se haviam tantos homens na época do pecado de Adão, haviam alguns homens que não pecaram. E é desses homens que descendem a raça ariana. Para Hitler, Cristo descendia da raça ariana. Por isso mesmo é que ele proibiu a redenção de Cristo. Se o povo alemão era ariano, logo não precisaria de nenhuma redenção.
    Ao mesmo tempo, o papa Pio XII declarou que de certa forma, todos os cristãos são semitas, por descenderem dos hebreus. Vemos portanto, como Hitler está em desacordo com tudo o que a Igreja de Cristo prega.


The Jewish News noticiando a ajuda do Vaticano aos judeus italianos


3.6- A Igreja contra o Nazismo
    A Igreja Católica sempre teve um caráter ideológico, por isso sempre condenou idéias. Não seria diferente no período do Nazismo. Sabe-se que o papa Pio XI imediatamente publicou uma encíclica que condena todos os princípios do Nazismo. E ainda escreveu em alemão para que todo povo alemão germânico tivesse acesso. 
     A encíclica "Mit brenneger Sorge" prudentemente não cita as palavras Nazismo e nem Hitler, pois não queria o papa que Hitler iniciasse imediatamente uma perseguição declarada contra a Igreja. Mesmo assim, quando Hitler esteve em Roma, retiraram o pontífice de lá por medo de algum ataque.
     Outro fato interessante é que mediante a criação do nazismo pelo partido de Hitler, a Igreja heretizou todas as suas teses e proibiu sob pena de excomunhão, os católicos de participarem de tal partido, por isso mesmo é que o Nazismo iniciou uma caça a todos os clérigos católicos.

Jornal Milwaukee Sentinel de 22 de março de 1937

3.7- O Nazismo contra a Igreja
Logo após observar que a Igreja de Cristo tinha um poder hierárquico sobre o mundo, Hitler tratou de ameaçar os clérigos. Os sacerdotes e bispos eram todos inimigos do estado alemão e por isso mesmo que ele os aprisionou em campo de concentração. O campo de Dachau, também chamado de campo dos padres por conter aproximadamente 3000 clérigos das mais diferentes posições hierárquicas. Um deles foi beatificado por João Paulo II em 1996. Negar que Hitler caçou e condenou os membros da Igreja é praticamente negar a existência do campo de Dachau, que continha em média um clérigo a cada dez prisioneiros.




Jornal falando da censura de Hitler ao documento "Mit Breneder Sorge"
    

3.8- As fotos
Curiosamente a política anti-cristianismo utiliza dos mesmos meios que o Nazismo utilizara: A propaganda. E propaganda das mais mentirosas. Na ânsia de combater a Igreja, muitos anti-cristãos agem com disfarce e mentira, tal como a serpente fez com Eva. Nota-se que a foto de Bento XVI foi cortada da foto original:




    A mentira não é senão risível, frente aos fatos facilmente peneiráveis diante da internet.



    Na foto acima, podemos ver o ex-presidente americano com judeus ortodoxos. Pode-se concluir através disso que ele era judeu?
    Já na foto em seguida, podemos ver Bento XVI seguido de outros líderes religiosos. Quer dizer que eram todos católicos ou que o catolicismo "fundou" tais religiões?

3.9- Contra as afirmações de Hitler
    "Nem todo aquele que diz "senhor, senhor" entrará no Reino dos Céus."
    As palavras de Cristo são as palavras dos Cristãos. Hitler invoca a todo tempo a palavra "Senhor" para designar seu "mentor". Vimos que seu mentor não passa do demiurgo gnóstico criador do mundo material, mas que ele atrevidamente chama de Deus. Vimos ainda que ele fundara uma outra religião contra a religião de Cristo. Por quais motivos ele teria declarado-se católico?
    Hitler adorava o Romantismo alemão. Tanto adorava que declarou após assistir Rienzie, do compositor romântico anti-semita Richard Wagner, que finalmente tinha conseguido sintetizar toda a idéia do nazismo. Alguns documentários afirmam que Hitler teria assistido Rienzie mais de 40 vezes. Devia ser ele mesmo um profundo entendedor da obra.
     Então como levar tecnicamente as palavras de um romântico que só afirmava incongruências ideológicas? Um cínico ou um ingênuo o poderiam, mas sob o olhar crítico da história, nenhum homem racionalmente o pode.


4-Conclusão

     Dizer que Hitler era Cristão somente levando em conta suas próprias afirmações é como dizer que o gato abaixo é um coelho pelas mesmas razões.



5- Bibliografia
http://www.portalateu.com/2010/09/17/palavra-de-ateista/
http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/5667
http://www.ilgiornale.it/interni/le_bugie_anticattoliche_ecco_bufala_foto__di_ratzinger_nazista/12-06-2010/articolo-id=452472-page=0-comments=1
http://en.wikipedia.org/wiki/German_Christians
http://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_de_concentra%C3%A7%C3%A3o_de_Dachau
http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=historia&artigo=20060218152655&lang=bra
http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=historia&artigo=19991218001716&lang=bra
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090404100909AAlj6J0
http://news.google.com/newspapers?id=fhlQAAAAIBAJ&sjid=Ng0EAAAAIBAJ&pg=6430%2C4227971&dq=pope+pius+nazi&hl=en
http://revistavilanova.com/deu-no-jornal-papa-condena-o-nazismo-e-veementemente/
Santo Tomás - Suma contra Gentios pág 687 e 688- Editora BAC

sábado, 26 de novembro de 2011

Lutero e as Indulgências

1- Introdução

Muito se fala na revolução protestante como um 'bem' a sociedade. Dentre muitos aspectos, ressaltam inclusive que Lutero protestava principalmente contras o pagamento de indulgências. Este artigo visa desmentir exclusivamente este aspecto da doutrina luterana.

2- Da Indulgência 


A Igreja Católica sempre dividiu os pecados em mortais e veniais, de acordo com a gravidade. Os pecados mortais seriam os pecados mais graves e que condenariam as pessoas à pena eterna. Ao contrário, os pecados veniais seriam aqueles mais brandos que condenariam a pessoa à pena temporal (purgatório).  
Essa doutrina advém de dois princípios básicos. O primeiro que admite Deus como bem absoluto e o segundo que admite que o mal, de qualquer natureza ofende a Deus. O fato é que todo pecado encerra algo de infinito, já que o bem absoluto (Deus) que é necessariamente infinito e aquela ação que pretende colocar algum bem acima do bem absoluto (que é infinito), só pode pretender aniquilá-lo em detrimento de algo finito.
Sendo assim era preciso que todo homem descendente do pecador original pagasse com uma pena infinita, pelos seus pecados. Somente com a encarnação e paixão divina, fruto de sua infinita misericórdia, é que seria possível livrar o homem do pecado original.
Ainda que a paixão de Cristo livrasse o homem do pecado descendente do primeiro homem, não poderia livrar o homem pelos seus pecados individuais. Assim sendo, cada homem está obrigado a cumprir uma penitência temporal para os pecados que comete. Dessa forma é que após a confissão é necessária uma penitência ou um ato de boa obra que pode restabelecer a amizade do pecador com Deus. 
A indulgência é fruto, sempre de um ato de boa obra, pois é somente através da boa obra que Deus livra o homem do pecado. Obviamente , devido a um pecado enorme, não basta qualquer boa obra. Para um pecado grande, é necessária uma boa obra grandiosa e só quem pode dizer quais atos culminam na livração da pena temporal é a Igreja de Cristo. Por isso, que o papa concede indulgências em algumas vezes. Ela apenas determina teologicamente qual ato é suficiente para expiar o pecado e assim livrar o homem da pena temporal (Purgatório). 
Recebe indulgência, por exemplo, uma pessoa que durante o período de finados se confessa e vai diariamente ao cemitério e reza uma oração pela salvação dos mortos. Um exemplo claro que de a indulgência precisa de uma boa obra, nessa caso o amor ao próximo.

3- Da Indulgência Luterana 
Diversas vezes Lutero se demonstrou favorável a uma tese que diz o seguinte: O pagamento de alguma quantia em dinheiro à instituição cristã expia o pecado do homem. Lutero era a favor não só da venda de indulgências, bem como da generalização de que para todo pecado, o mesmo ato culminaria no livramento da pena temporal e sem confissão. Isso fica claro no sermão de julho de 1517. No seu artigo 14, o sermão diz o seguinte:
"A indulgência é permitida por causa dos cristãos imperfeitos e preguiçosos que não querem exercitar-se em boas obras ou não querem sofrer. Pois a indulgência não promove o melhoramento de ninguém, mas sim tolera sua imperfeição e a permite. Por esta razão não se deve falar contra a indulgência, mas também não se deve recomendá-la a ninguém."  
O artigo, apesar de ambíguo, diz que a indulgência pode ser aplicada sem uma boa obra. Ora, a tolice consiste no fato de que a indulgência é devida a uma boa obra, pois a indulgência é um ato de Deus.
Em 31 de outubro do mesmo ano, Lutero afixou na porta de uma igreja em Wittenberg as famosas 95 teses. Muito se fala nessas 95 teses como princípios da reforma protestante, mas sem explicitar seu conteúdo. Na sua tese 47, Lutero afirma o seguinte:
"Deve-se ensinar aos cristãos ser a compra de indulgências livre e não ordenada."
Nessa tese, Lutero não só deixa claro que a compra de indulgência é lícita, bem como diz o meio pelo qual ela pode ser exercida, isto é sem ser a força.
Apesar disso, em outras teses, Lutero deixa claro que é preferível que um homem doe dinheiro aos pobres do que que compre indulgências.
"É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não pense ser a indulgência preferível a demais obras de caridade ou superior a elas."
Nessa tese 41, Lutero estabelece um comparativo praticamente dando a compra de indulgência uma posição de virtude, pois a compara com outra virtude, a caridade. Contudo , ele mesmo afirma no seu sermão que a indulgência bem serve aos preguiçosos. Então a indulgência, que é um ato de preguiça, está no mesmo plano do ato de caridade. 
Como podemos observar, o monge não só defendia teses abomináveis, bem como se confunde todo em um texto pequeno e simples.

4- Conclusão 

O que podemos afirmar certamente através dos documentos históricos é que Lutero defendia a venda de indulgências, ao contrário do que muito se diz por aí.  Ainda fica claro (não tanto quanto) porque as igrejas protestantes, luteranas que são, fundam boa parte de seu exercício de fé na apreensão financeira do fiel.
De outra forma, fica igualmente claro que segundo Lutero, um homem rico, ainda que preguiçoso tenha chance maior de salvação do que um homem pobre.

domingo, 30 de outubro de 2011

A Encíclica Mortalium Animos de Pio XI (Ilustrada)

1- Ânsia universal de Paz e Fraternidade 
     Talvez jamais em uma outra época os espíritos dos mortais ficaram tomados por um tão grande desejo daquela fraterna amizade, pela qual em razão da unidade e identidade de natureza - somos estreitados e unidos entre nós, amizade esta que deve ser robustecida e orientada para o bem comum da sociedade humana, quanto vemos ter acontecido nestes nossos tempos.
     Pois, embora as nações ainda não usufruam plenamente dos benefícios da paz, antes, pelo contrário, em alguns lugares, antigas e novas discórdias vão explodindo em sedições e em conflitos civis; como não é possível, entretanto, que as muitas controvérsias sobre a tranquilidade e a prosperidade dos povos sejam resolvidas sem que exista a concórdia quanto a ação e às obras dos que governam as Cidades e administram os seus negócios; compreende-se facilmente (tanto mais que já ninguém discorda da unidade do gênero humano) porque, estimulados por esta irmandade universal, também muitos desejam que os vários povos cada dia se unam mais estreitamente.

Guerra hindu narrada pelo poema Mahabarata

2- A fraternidade na religião. Congressos ecumênicos 

     Entretanto, alguns lutam por realizar coisa não dissemelhante quanto a ordenação da Lei Nova trazida por Cristo, Nosso Senhor.
     Pois, tendo como certo que rarissimamente se encontram homens privados de todo sentimento religioso, por isto, parece, passaram a ter a esperança de que, sem dificuldade, ocorrerá que os povos, embora cada um sustente sentença diferente sobre as coisas divinas, concordarão fraternalmente na profissão de algumas doutrinas como que em um fundamento comum da vida espiritual.
     Por isto costumam realizar, por si mesmos, convenções, assembleias e pregações, com não medíocre frequência de ouvintes e para elas convocam, para debates, promiscuamente, a todos: pagãos de todas as espécies, fiéis de Cristo, os que infelizmente se afastaram de Cristo e os que obstinada e pertinazmente contradizem à sua natureza divina e à sua missão.

Encontro de Assis 2011



3- Os católicos não podem aprová-lo 
     Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião de que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império.
     Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na gradualmente e inclinam-se ao Ateísmo e ao Naturalismo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada.

Papa Bento XVI aprovando e participando de assembléia ecumênica

4- Outro erro. A união de todos os cristãos, argumentos falazes.
     Entretanto, quando se trata de promover a unidade entre todos os cristãos, alguns são enganados mais facilmente por uma disfarçada aparência do que seja reto.
     Acaso não é justo e de acordo com o dever -costumam repetir amiúde - que todos os que invocam o nome de Cristo se abstenham de recriminações mútuas e sejam finalmente unidos por mútua caridade?
     Acaso alguém ousaria afirmar que ama a Cristo se, na medida de suas forças, não procura realizar as coisas que Ele desejou, Ele que rogou ao Pai para que seus discípulos fossem UM? (Jo 17, 21)
     Acaso não quis o mesmo Cristo que seus discípulos fossem identificados por este como que sinal e fossem por Ele distinguidos dos demais, a saber, se mutuamente se amassem: "Todos conhecerão que sois meus discípulos nisto: se tiverdes amor um pelo outro" (Jo 13, 35)
     Oxalá todos os cristãos fossem "UM", acrescentam: eles poderiam repelir muito melhor a peste da impiedade que, cada vez mais, se alastra e se expande, e se ordena ao enfraquecimento do evangelho.[1]
     Na verdade, sob os atrativos e os afagos destas palavras oculta-se um gravíssimo erro pelo qual são totalmente destruídos os fundamentos da fé.

Paulo VI e seis pastores protestantes durante o concílio V2


[1] Ser um: ter a mesma crença/religião


terça-feira, 4 de outubro de 2011

SERMÃO 11º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES – 2011




(Por Dom Tomás de Aquino – Mosteiro da Santa Cruz )


Hoje Nosso Senhor cura um surdo-mudo. Quem é surdo é mudo também. Pois o surdo, não ouvindo, não aprende a falar. Como poderia falar uma língua aquele que nunca escutou? Como poderia articular os sons aquele que nunca pôde escutar um som. O som de uma vogal, de uma sílaba, de uma palavra. Ora, o que foi o Vaticano II, senão um concílio surdo. Surdo à voz da tradição. Sendo surdo o Concílio foi também mudo. E não pronunciou nenhum dogma; nenhuma palavra de autoridade infalível.
O Povo, diz-nos o Evangelho, admirava ver que Nosso Senhor falava com autoridade e não como os fariseus. Donde vem esta autoridade? Ela vem de Deus. A doutrina não é minha, dizia Nosso Senhor, mas dAquele que me enviou. E, falando do Espírito Santo, Nosso Senhor dizia que o Espírito Santo tomaria o que era dele. E anunciaria. Donde se vê que na Trindade há alguma imagem tradição. A tradição é tomar algo e transmiti-lo. Assim o Pai enviou o Filho. E o Filho não contou nada senão aquilo que Ele ouviu diante do Pai. Ele ouviu. E aquilo que ouviu Ele transmitiu. E o Espírito Santo não ensinou nada senão aquilo que recebeu do Pai e Filho. Pois, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Eis aí a Tradição no seio da Santíssima Trindade.
E dentro da Igreja? A Igreja guarda as palavras de Nosso Senhor. Isto é, Ela escuta, guarda. E guarda o que escutou e anuncia o que guardou. Nossa Senhora escutava tudo e guardava tudo em seu Coração, nos diz os Santos Evangelhos. Nossa Senhora, Sede da Sabedoria, começou por escutar. Nossa Senhora escuta o Anjo Gabriel e, em seguida, Ela fala. E, quando Ela fala, opera-se o mistério da Santíssima Trindade. Nosso Senhor no Horto escuta, ou melhor, relembra a missão que recebeu do Pai e diz o seu Fiat. E, assim, começa o mistério da Redenção pela sua Paixão.
Antes de dar, é necessário receber. Antes de falar, é necessário escutar. A fé vem dos ouvidos, diz São Paulo. Os Apóstolos começaram escutando e, no dia de Pentecostes, começaram a falar. “Escuta; filho; o preceito do mestre. Inclina os ouvidos de teu coração. Recebe de boa vontade, executa eficazmente o conselho de um bom pai”. Assim começa a regra de nosso pai São Bento.
Adão e Eva começaram escutando, como recomenda São Bento. Começaram escutando e, por isso, eram felizes. Adão não só escutou, mas falou também. Pois, está dito no Gênese que ele deu um nome a cada um dos animais. Esse nome era verdadeiro. Mas, depois, eles ficaram surdos à Voz divina, surdos à Tradição. E deram ouvidos à novidade, novidade que o demônio veio trazer. E o demônio disse: Não escutem a Tradição; escutem o que vou dizer: vocês não morrerão. Adão e Eva começaram a falar mal. Adão acusou Eva e Eva tentou jogar a culpa fora de si. E Deus então disse ao demônio: “Porei uma inimizade entre ti e a mulher. Entre tua descendência e a descendência dela. Tentarás morder seu calcanhar. Mas ela ti esmagará a cabeça”.
Eva escutou o demônio e ficou muda. Maria Santíssima escutou o Anjo e se tornou a Sede da Sabedoria, Aquela que esmaga a cabeça do demônio. Agora é Ela que fala. Devemos escutá-La. E o que Ela diz. Ela nos diz, como nas Bodas de Caná: “Fazei tudo o Ele vos disser”. Eis aí Tradição. O demônio era a novidade, pois ele diz a Eva para não crer na Tradição e não crer no que Deus já havia dito.
O Vaticano II foi a novidade, pois diz para não crer na Tradição; não crer na condenação do Modernismo; não crer em São Pio X; não crer em Pio XII, nem em Pio IX, nem em Leão XIII, nem em Pio IX, nem em Gregório XVI, em nenhum de seus predecessores. Vaticano II foi a ruptura, foi a surdez. Ora, quem é surdo não fala. É por isso que o Vaticano II não proclamou nenhum dogma. Como ele poderia falar com autoridade, definir com autoridade, se ele se fez surdo à voz da Tradição? O Surdo é mudo. Vaticano II é surdo, logo ele é mudo. Mas, dirão alguns: Vaticano II ouviu o mundo. Vaticano II adotou os valores liberais dos dois últimos séculos. Vaticano II escutou os clamores dos tempos modernos e falou a linguagem dos homens de nossos tempos.
Os tempos modernos, diz o Pe. Maximiliano Kolbe, são dominados pelo demônio e o serão ainda mais no futuro. Escutar o mundo moderno é imitar Eva, escutando o demônio no paraíso. Falar com o mundo moderno é falar como Eva falou a Adão. Ora, nosso modelo não é Eva, mas Maria Santíssima. O combate, continua o Pe. Maximiliano Kolbe, não pode ser conduzido por homens, mesmo pelos mais sábios. Quem, então, nos conduzirá o combate? Escutemos ainda esse grande Santo: unicamente a Imaculada recebeu de Deus a promessa da vitória sobre o demônio. Ela procurará almas que lhe serão totalmente consagradas, para se tornar entre suas mãos os instrumentos que vencerão Satanás e estenderão o reino de Deus sobre todo o mundo.
Eis aí a solução: fechar nossos ouvidos às novidades do mundo moderno, dos tempos modernos, estes tempos, do qual diz Pe. Maximiliano Kolbe, que serão dominados por Satanás; e abrir nossos ouvidos à Tradição, abri-los à Virgem Maria, que guardava em seu Coração tudo o que se dizia de seu Filho, como diz São Lucas, e, sobretudo, tudo o que dizia o seu Filho. Nossa Senhora guardava como a Tradição guarda. Guardava o quê? Essas palavras, esse ensinamento, esses exemplos, todo esse conjunto, que forma o tesouro da Revelação.
Ora, a Tradição não é outra coisa. Ela consiste em conservar, guarda tudo o que Nosso Senhor legou à sua Igreja: sua doutrina, seus sacramentos, suas cerimônias, seu exemplo, seu Corpo, seu Sangue, sua Missa, seu Sacrifício. Só assim nós cooperaremos para estender o Reino de Deus sobre todo o mundo.
Os modernistas, os liberais são os inimigos deste Reino, pois eles são os inimigos de Cristo Rei. Foi dito em Roma a Dom Lefebvre a respeito da Encíclica de Pio XI, sobre Cristo Rei: Hoje Pio XI não escreveria mais esta Encíclica. Dom Lefebvre dizia: Nós queremos trabalhar para cristianizar o mundo; e os senhores para descristianizá-lo. Nós queremos coisas opostas. Nós não podemos nos entender.
Os liberais são os inimigos do Reino Social de Nosso Senhor. Quando, no Pai Nosso, nós pedimos “Venha a nós o vosso reino”, que reino é esse senão o Reino de Nosso Senhor? Quem nos trará esse Reino, senão a Igreja Católica? E como, então, favorecer o Ecumenismo? Como, então, favorecer as falsas religiões? Todas as falsas religiões são inimigas do Reino de Deus sobre a terra, pois todas elas se opõem à Igreja. E, se opondo à Igreja, se opõem a Nosso Senhor.
Hoje se fala de acordos com Roma. São rumores que correm, que deixam as almas aflitas e apreensivas. Qual a solução da crise atual? Um acordo com a Roma liberal? Penso que ninguém ousaria afirma-lo. Mas, qual é a solução então? Ela está no Evangelho de hoje. Rezemos e trabalhemos para que Nosso Senhor toque os ouvidos do Santo Padre, o Papa Bento XVI, um de seus sucessores e diga: Epheta, ou seja, Abra-te. E que os ouvidos do Santo Padre se abram, enfim, à voz do Magistério infalível da Igreja. Assim, ouvindo a voz da Igreja, ele falará como a Igreja. Ele falará as palavras de Nosso Senhor.
Mas, alguns dirão: o Papa não é a Igreja? Como pode ele deixar de falar como a Igreja? Nós responderemos: São Pedro não era o primeiro Papa? Nosso Senhor não o havia, mesmo antes de sua Paixão, designado para o Supremo Pontificado dizendo: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja? Como é que, então, poucos instantes após estas palavras solenes, esta instituição solene, essa designação diante de todos os Apóstolos, com palavras tão fortes e tão definitivas, saída da boca do Verbo Encarnado; como é que, poucos instantes após, quando Nosso Senhor havia falado de sua Paixão, e São Pedro quis, então, se opor; e Nosso Senhor se volta para São Pedro e diz essas palavras: Para trás, Satanás. Tu não tens a inteligência das coisas de Deus? Peçamos, pois, pelo Santo Padre. Que ele tenha a inteligência das coisas de Deus. E ter a inteligência das coisas de Deus consiste em escutar a voz de Deus, que nos fala pelas Sagradas Escrituras e pela Tradição. Querer excluir a Tradição é cair no Protestantismo. Mas, escutar a Tradição é seguir o conselho de São Bento que nos diz: Escuta, filho, os preceitos da Santa Igreja. Inclina o ouvido de teu coração. Recebe de boa vontade. Executa eficazmente os conselhos de uma boa mãe. Esta mãe é a Santa Igreja, cujo coração é o Imaculado Coração de Maria Santíssima. Possa ela nos conduzir à vida eterna, pelos seus conselhos, sua sabedoria e sua intercessão. Assim seja.