expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

Páginas

sábado, 28 de janeiro de 2012

Liberdade Religiosa e Ecumenismo - Dom Mayer

A liberdade religiosa
Assim, sobre a liberdade religiosa, podemos resumir em três itens o ensino oficial do Magistério eclesiástico: a) ninguém pode ser coagido, pela força, a abraçar a Fé Católica; b) o erro não tem direito nem à existência, nem à propaganda, nem à ação; c) este princípio não impede que o culto público das religiões falsas possa ser eventualmente, tolerado pelos poderes civis, em vista de um bem maior a obter-se, ou de um mal maior a evitar-se (Cfr. AL. Pio XII, 6.XII.1953).
Com o princípio de bom senso, que tolera a eventual existência de religiões falsas, a doutrina da Igreja atende mesmo às condições de fato de uma sociedade, religiosamente, pluralista. Não admite, porém, nem poderia admitir, no homem, um direito natural de seguir a religião do seu agrado, prescindindo de seu caráter de verdadeira ou falsa. Aceitar semelhante direito em nome, por exemplo, da dignidade humana, envolve uma profunda inversão da ordem das coisas. Pois, a dignidade do homem que toda ela procede de Deus, passaria a sobrepor-se à obrigação fundamental que tem esse mesmo homem com relação a Deus: a de cultuá-Lo na verdadeira religião.
Outra posição, lesiva dos direitos divinos, está implícita naquele princípio: o Estado deveria ser necessariamente neutro em matéria de religião. Deveria sempre dar plena liberdade de profissão e propaganda a qualquer culto. Atitude esta que contradiz o ensino católico tradicional, uma vez que, criatura de Deus, também a sociedade, como tal, tem o dever de cultuá-Lo na Religião verdadeira, e de não permitir que cultos falsos possam blasfemar o Santíssimo Nome do Senhor (Cfr. Leão XIII, Enc. “Immortale Dei” e “Libertas”). Não é difícil verificar-se que este princípio falsíssimo de liberalismo corre em meios católicos como doutrina oficial.

O Ecumenismo
Intimamente relacionada com a liberdade religiosa está a questão do Ecumenismo como ele é entendido e praticado. A liberdade religiosa que acabamos de ver, dá ao homem pleno direito de seguir sua religião, ainda que falsa, e impõe ao Estado o dever de atender aos cidadãos no uso de semelhante direito. A liberdade religiosa, pois favorece, quando não impõe, o pluralismo religioso.
Ora, acontece que, numa sociedade dilacerada por esse pluralismo, a identidade de origem de todos os homens, os mesmos problemas que resolver, as mesmas dificuldades que enfrentar, despertam nos indivíduos o anseio de buscar uma unidade de fundo religioso, visto que a comunhão na convicção religiosa é um meio excelente de congregar esforços, para a conquista do bem comum e do interesse público. Daí os movimentos visando chegar à união das várias religiões, mediante a aceitação de princípios comuns a todas elas, sem exigir a renúncia às características específicas de cada uma, que continuaria distinta das outras.
Semelhante ecumenismo muitos o restringem às confissões que se dizem cristãs.

(Fragmento da ''Carta Circular sobre a Pureza e Integridade da Fé'', 01 de Junho de 1981, Dom Antônio de Castro Mayer, Bispo de Campos.)

Proteção e Mediação de Maria Santíssima - Dom Mayer

Acenamos, amados filhos, a algumas práticas, através das quais, procura-se instaurar na Igreja um cristianismo novo, destoante daquele que Jesus Cristo veio trazer à terra. Em Nossa Pastoral de 19 de março de 1966, sobre a aplicação dos Documentos conciliares, salientamos o grande perigo que de tais práticas se origina para a fé, intoxicadas, como estão, pela heresia difusa que encontra conivência na mentalidade relativista do mundo moderno. A situação é tão grave, o mal tão profundo, que hoje, mais do que em tempos passados, é necessário o apelo aos meios sobrenaturais da graça. Entregues a nós mesmos, somos incapazes de resistir à onda elevada pelos falsos profetas, e menos ainda de fazê-la amainar, de modo que possam as almas continuar serenamente nas vias da imitação do Divino Salvador.
Recorramos, pois à oração, e especialmente à devoção a Maria Santíssima, Senhora nossa. A Tradição é unânime em apresentá-La como Medianeira de todas as graças, como Mãe terníssima dos cristãos, empenhada na salvação de seus filhos, como interessada na integridade da obra de seu Divino Filho. Nas situações difíceis, em que Se tem encontrado, a Igreja habituou-nos a suplicar o valioso e eficaz auxílio da Santa Mãe de Deus, seja para profligar heresias, seja para impedir que o jugo dos infiéis pesasse sobre os cristãos. Podemos dizer que a Igreja jamais Se achou em crise tão grave e tão radical, como a que hoje alui seus fundamentos desde os seus primeiros alicerces. É sinal de que a proteção de Maria Santíssima se torna mais necessária. A nós compete fazê-la real mediante nossas súplicas à Santa Mãe de Deus. Nesse sentido, renovamos a exortação que fizemos à reza cotidiana do terço do santo Rosário, cuja valia aumentaremos com a imitação das virtudes de que a Virgem Mãe nos dá particular exemplo: a modéstia, o recato, a pureza, a humildade, o espírito de mortificação na renúncia de nós mesmos, e a caridade com que, pelo bom exemplo, como discípulos de Cristo “impregnamos de seu espírito a mentalidade, os costumes, e a vida da cidade terrena” (p.105). Confiamos que a proteção da Santa Mãe de Deus nos conservará a fidelidade à Tradição na nossa profissão de fé e nas nossas práticas religiosas, como nos hábitos de nossa vida católica.
Certo de que tão excelsa proteção jamais nos faltará, enviamos aos Nossos zelosos Cooperadores e amados filhos, Nossa cordial bênção pastoral, em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Dada e passada na Nossa Episcopal Cidade de Campos, sob Nosso sinal e selo de Nossas armas, aos onze dias do mês de abril do ano de mil novecentos e setenta e um, na Santa Páscoa do Senhor.

(Dom Antônio de Castro Mayer, Bispo de Campos dos Goytacazes)

ECUMENISMO - Dom Antônio de Castro Mayer

    ''O Cristianismo é a floração religiosa e cultural da Igreja, instalada na Terra por Jesus Cristo, para continuar sua obra de dar glória a Deus e salvar as almas. Depois de uma gloriosa epopeia, em que venceram o Paganismo e dominaram as heresias, os Apóstolos e seus sucessores converteram em Católico o antigo Império Romano.

 No século XVI, o orgulho de um frade apóstata, Martinho Lutero, quebrou essa unidade, substituindo a palavra oficial da Igreja pelo livre exame com que cada qual entederia a Bíblia Sagrada.

   Por volta de 1910, os emissários protestantes, com ação em terras de Missão, reuniram-se em Edimburgo, com o fim de fixar um meio de evitarem recíprocos obstáculos. Na ocasião, Carlos Brent propôs que se convidassem todos os cristãos a fazer parte desse movimento unicionista. Foi a origem do Movimento ecumênico das igrejas, responsável pelas reuniões de Genebra, Lausane e Edimburgo, Soderbon, o bispo luterano de Upsala iniciou movimento semelhante. Depois da última grande guerra, os dois movimentos reuniram-se no Conselho Mundial das Igrejas (CMI), com sede em Genebra, com representantes praticamente de todas as seitas protestantes e greco-ortodoxas.

A Igreja Católica, por isso é a única verdadeira Igreja de Cristo, jamais fez parte do CMI, e, sem caráter ou atitude hostil, deu, sobre a matéria, orientação doutrinária nas encíclicas ''Mortalium animos'' de Pio XI (06/01/1928) e ''Orientales omnes ecclesias'', de Pio XII (28/12/1945), e orientação disciplinar, na Instrução do Santo Ofício de 20/12/1949.


O Concílio Vaticano II, sob inspiração de Paulo VI, que acusava o Concílio de Trento de ter se afastado da Tradição (cf. Colóqio de Guitton, c. 13), mostreu-se muito liberal no decreto sobre o Ecumenismo. Daí o surgir, no pós-Concílio, nos meios católicos, uma literatura que se desvia dos ensinamentos de Pio XI e Pio XII''.

(Trechos do Artigo ''ECUMENISMO'', de Dom Antônio de Castro Mayer, Monitor Campista, 21/10/1984. pág. 4)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O ROSÁRIO - Dom Antônio de Castro Mayer

     O mês de outubro, por determinação do Papa Leão XIII, é dedicado à devoção do Santíssimo Rosário da Bem Aventurada Virgem Maria.

     É a palavra autorizada deste grande Papa que nos diz o valor e da eficácia desta devoção, generalizada na Santa Igreja, mas que conta com adversários sinuosos e perseverantes. Leão XIII parece descrever a situação de hoje. Daí a atualidade de suas palavras. Diz ele:

     ''E de todos conhecídissimo com quantas e quais meios de corrupção a malícia do mundo, iniquamente, se esforça por enfraquecer e por extipar, inteiramente, dos corações a fé cristã e a observância da lei divina, que alimenta essa fé e a faz frutificar. E, já por toda parte, o campo do Senhor, como que talado por uma terrível peste, quase se asselvaja, pela ignorância da religião, pelo erro e pelos vícios.

     E o que é ainda mais doloroso, é que aqueles que poderiam e teriam o sagrado dever de porem um freio ou de infligirem justas penas à perversidade tão arrogante como que lhe dando incentivo, ou pela inércia, ou pelo apoio. Por isso, temos muita razão de entristecer-nos por vermos que às escolas públicas, deliberadamente , se tenha dado uma organização tal, que consente que o nome de Deus seja nelas calado, ou ali seja ultrajado.

    Devemos entristecer-nos, outrossim, com a licença, cada vez mais disfarçada de imprimir ou pregar toda sorte de ultrajes contra Cristo, Deus e sua Igreja... A prática da vida já agora não está mais de acordo com a fé. Quem considerar esta perversão a esta ruína dos interesses mais vitais, certamente não se admirará se, por toda parte, as nações gemem, sob o peso dos castigos divinos, e ficam consternadas pelos temor de calamidades ainda mais grave''.

    Feito o diagnóstico da situação sócio-religiosa, aponta o Papa na oração especialmente do Santo Rosário, o meio seguro de obter o saneamento do mal:

     ''Para aplacar a majestade de Deus ofendida e para proporcionar o necessário remédio àqueles que tanto sofrem, certamente não há melhor meio do que a oração devota e perseverante, unida ao espírito e à prática da vida cristã. Para conseguir esses dois escopos, julgamos que o mais indicado meio é o ''Rosário Mariano''.

     Leão XIII recorda aqui como a devoção do Santíssimo Rosário, espalhada por São Domingos de Gusmão, purificou o sul da França da peste dos Albigenses, ''pertubadora e corruptora da integridade da Fé e dos costumes''.

     Leão XIII ordena que, no mês de outubro, diariamente se reze ao menos o Terço do Santíssimo Rosário, durante a Missa, se o exercício fizer pela manhã, diante do Santíssimo Sacramento exposto, caso seja ele realizado à tarde. Esta praxe instaurada por Leão XIII é ainda lembrada pelo Diretório Litúrgico, no fim do mês de setembro.

(Dom Antônio de Castro Mayer, Monitor Campista, 18 de Outubro de 1981).