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domingo, 29 de março de 2015

Domingo de Ramos: Utilidade da Paixão de Cristo como exemplo.

Como disse S. Agostinho: "A Paixão de Cristo é suficiente para ser modelo de toda a nossa vida". Quem quer que queira ser perfeito na vida, nada mais é necessário fazer senão desprezar o que Cristo desprezou na cruz, e desejar o que nela Ele desejou. Nenhum exemplo de virtude deixa de estar presente na cruz.
Se nelas buscas um exemplo de caridade, "ninguém tem maior caridade do que aquele que dá sua vida pelos amigos" (Jo 15, 13). Ora, foi o que Cristo fez na cruz. Por isso, já que Cristo entregou a sua vida por nós, não nos deve ser pesado suportar toda espécie de males por amor a Ele. "O que retribuirei ao Senhor, por todas as coisas que Ele me deu?" (Ps. 115, 12).
 
Se procuras na cruz um exemplo de paciência, nela encontrarás uma imensa paciência. A paciência manifesta-se extraordinária de dois modos: ou quando alguém suporta grandes males pacientemente, ou quando suporta aquilo que poderia ser evitado e não quis evitar. Cristo na cruz suportou grandes sofrimentos: "Ó vós todos que passais pelo caminho parai e vede se há dor igual à minha!" (Lm 1, 17), e os suportou pacientemente, "como a ovelha levada para o matadouro e como o cordeiro silencioso na tosquia" (1 Pd 2, 23). Cristo na cruz suportou também os males que poderia ter evitado, mas não os evitou: "Julgais que não posso rogar a meu Pai e que Ele logo não me envie mais que doze legiões de Anjos?" (Mt 26, 53). Realmente, a paciência de Cristo na cruz foi imensa! "Corramos com paciência para o combate que nos espera, com os olhos fitos em Jesus, o autor da nossa fé, que a levará ao termo: Ele que, lhe tendo sido oferecida a alegria, suportou a cruz sem levar em consideração a sua humilhação" (Heb 36, 17).
 
Se desejares ver na cruz um exemplo de humildade, basta-te olhar para o crucifixo. Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer: "A vossa causa, Senhor, foi julgada como a de um ímpio" (Jo 36, 17). Sim, de um ímpio, porque disseram: "Condenemo-lo a uma morte muito vergonhosa" (Sb 2, 20). O Senhor quis morrer pelo seu servo, e Aquele que dá a vida aos Anjos, pelo homem: "Fez-se obediente até à morte" (Fl 2, 8)
 
Se queres na cruz um exemplo de obediência, segue Àquele que se fez obediente ao pai, até à morte: "Assim como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores; também pela obediência de um só homem, muitos se tornaram justos" (Rm 5, 19).
 
Se na cruz estás procurando um exemplo de desprezo das coisas terrenas, segue Àquele que é o Rei e o Senhor dos Senhores no qual estão os tesouros da sabedoria, mas que na cruz aparece nu, ridicularizado, escarrado, flagelado, coroado de espinhos, na sede saciado com fel e vinagre e morto. Não deves te apegar às vestes e às riquezas, "porque dividiram entre si as minhas vestes" (Sl 29, 19); nem às honras, porque "Eu suportei as zombarias e os açoites"; nem às dignidades, porque "puseram em minha cabeça uma coroa de espinhos que trançaram"; nem às delícias, porque "na minha sede deram-me vinagre para beber" (Sl 68, 22)
        
In Symb.
 
(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

Fonte: http://www.permanencia.org.br/drupal/node/2102

terça-feira, 5 de agosto de 2014

São Bernardo - Sermão no Domingo de Ramos I

Sobre a procissão e a paixão

1.Com grande acerto, como tem o Espírito de seu Esposo e de seu Deus, a igreja hoje une, com admirável e nova sabedoria, a procissão e a Paixão. A procissão suscita felicidades e a Paixão, lágrimas. Como ao serviço de sábios e ignorantes, intento explicar a todos o fruto desta união.
E começarei referindo-me aos frutos do mundo, porque não é primeiro o espiritual, senão o animal. Que o homem mundano observe e compreenda que a alegria termina no pesar. Por isso, aquele que praticou e ensinou tantas coisas, quando se fez homem quis demonstrar pessoalmente com sua palavra e seu exemplo o que nos havia dito muito antes pela boca do profeta: "Toda carne é grama, e sua beleza como flor campestre " e manifestando-se na carne se empenhou em experimentá-lo em si mesmo. Aceitou, pois, o triunfo da procissão, consciente de que estava já iminente o dia terrível de sua morte.
Poderá alguém fiar-se da glória versátil do mundo se contempla o santo por excelência e ademais Dono supremo do universo, passando tão rapidamente da vitória mais sublime ao desprezo mais absoluto? Uma mesma cidade, as mesmas pessoas e em uns poucos dias passeia triunfantemente entre hinos de louvor e depois é acusado, maltratado e condenado como um malfeitor. Assim acaba a alegria caduca e a isto se reduz a glória do mundo. O Profeta pede que o Senhor viva em uma glória perene; quer dizer, que à procissão não acompanhe a Paixão.
2.Vós, em contrapartida, sois espirituais e podeis captar uma mensagem espirital: por isso os apresentamos na procissão a glória da pátria celeste, e na Paixão, o caminho que conduz à ela. Oxalá que a procissão te recorde o gozo e alegria incomparáveis do nosso encontro com Cristo no ar, enquanto somos arrebatados nas nuvens. E que te consumas no desejo de ver o dia glorioso em que Cristo entrará na Jerusalém celestial. Ele irá como cabeça de um grande corpo; içará o troféu da vitória, e não receberá os aplausos de uma turba vulgar, mas sim aquele hino dos coros angélicos e dos povos da antiga e da nova aliança: "Bendito o que vem em nome do Senhor".
A procissão te diz aonde nos dirigimos, e a Paixão nos mostra o caminho. Os sofrimentos de hoje são a trilha da vida, a avenida da glória, o caminho da nossa pátria, a calçada do reino, como grita o ladrão crucificado: "Senhor, lembra-te de mim quando chegares ao teu reino." O vê caminhar até o reino e lhe pede que, quando chegue, se lembre dele. Também ele chegou, e por um atalho tão curto que naquele mesmo dia mereceu estar com o Senhor no paraíso. A glória da procissão torna suportável a angústia da Paixão, porque "nada é impossível para aquele que ama".
3.E não se estranhe nada ouvir que esta procissão é símbolo da celestial, já que ao mesmo se recebe em ambas, ainda que as pessoas e o modo sejam muito diversos. Nesta procissão, Cristo vai sentado em um bruto animal; naquela, ao contrário, haverá animais racionais, como diz a Escritura: "Senhor, tu salvas a homens e animais." Recordemos aquela outra passagem que diz: "Sou como um animal ante ti e estarei sempre contigo". E continua referindo-se à procissão: "Tú agarras minha mão direita, me guia segundo teus planos e me levas a um destino glorioso."
Nem sequer faltarão ali os burrinhos, ainda que murmure o herege que não deixa vir as crianças e lhes nega o batismo. Também ele foi criança e quis ver-se acompanhado de uma série de crianças: os inocentes. Não exclui de sua graça as crianças, porque não desmente sua misericórdia, nem está em desacordo com sua majestade que o dom da graça supre as limitações da natureza.
Aquele gentio não calçará o caminho com ramos nem pobres mantos, sem que os animais simbólicos dobrem suas asas, os vinte e quatro anciãos ofereçam suas coroas ante o trono do Cordeiro, e todos os coros angélicos lhe brindaram e lhe dedicaram sua glória e formosura.
4.E já que temos falado do asno, dos mantos e dos ramos de árvore, quero fixar-me com mais atenção nas três classes de ajuda que se oferecem-lhe nesta procissão do Salvador. A primeira a dá a jumenta em que estava montado, a segunda os que estendem seus vestidos e a terceira os que cortam ramos de árvores. Não os parece que todos os demais lhe apresentam o que lhes sobra, e honram ao Senhor sem molestar-se em nada, a exceção da jumenta que se oferece o mesmo?
Me calo para evitar o perigo da vaidade ou fala para encorajá-los? Eu creio que esse asno em que Cristo vai sentado sois vós que, na frase do Apóstolo, "glorificais e levais a Cristo com vosso corpo". Os prelados cortam ramos de árvores quando falam da fé e obediência de Abraão, da castidade de José, da mansidão de Moisés ou das virtudes de outros santos. Não fazem mais que tomar-lo de seus bens  diversas despensas e devem distribuir gratuitamente o que receberam de balde. Se todos cumprem fielmente seu ministério, é indubitável que participam da procissão do Salvador e entram com ele na cidade santa, porque o Profeta predisse as três classes de homens que se salvarão: Noé cortando ramos para fazer a arca, Daniel que com seu jejum e abstinência se converte no jumento que leva o Salvador e Jó que faz bom uso dos bens desse mundo e abriga aos pobres com a lã de suas ovelhas. Quem está mais perto de Jesus nessa procissão? Quem dos três está em contato mais imediato com a salvação? Creio que é muito fácil compreender.

(fonte: San Bernardo, obras completas IV, Sermones Litúrgicos (2º volume), BAC, pág 17 Tradução nossa)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

E sereis como deuses

Descartes ao dizer "cogito, ergo sum" tira o ser como fundamento da realidade e coloca o sujeito. é um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para o humanismo. Analogamente, no direito civil, o indivíduo tira o direito como fundamento da lei e coloca a si mesmo como o fundamento jurídico. No campo da ciência, retira-se o objeto de estudo para colocar-se o "eu", a minha ciência. No campo da moral, o amor se reduz ao âmbito do amante e não do amado.
Ora, se a concepção de Descartes não era a realidade, mas a ideia, logo a concepção atual da ciência jurídica não é o direito, mas a ideia do indivíduo, isto é, a lei. Da mesma maneira, na ciência pós-cartesiana, o objeto de estudo é um conjunto subjetivo de asserções, isto é, leis, sem fundamento na realidade, mas com fundamento no sujeito.
Fica claro porque os homens estão mais acorrentados após o humanismo do que antes dele: cada indivíduo elevado a condição de um deus com suas próprias leis, ciências e realidades artificiais condimentada por amor próprio (egoísmo) só pode resultar em verdadeiros tiranos. 
O humanismo é, em outras palavras, anti-humano.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Breve Síntese de um longo documento

Características Negativas
Augusto del Río

  1. Quer mais poder para as conferências episcopais, "uma autoridade doutrinal" (32);
  2. O essencial é a beleza do amor salvador de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado, sem referenciar a dívida criado pelo pecado original (36);
  3. O Evangelho seria responder ao Deus que nos salva, mas não cita de que nos salva (39);
  4. Torna suspeito qualquer anúncio doutrinal, já que se não se anuncia o Deus que nos ama, isso é resultado de sotaques doutrinais ou morais que procederiam de opiniões ideológicas (39);
  5. Fala das distintas linhas de pensamento filosófico, teológico e pastoral, colocando-os na mesma sacola, como se a legítima liberdade que pode haver em linhas pastorais fosse a mesma liberdade que as diversas correntes teológicas e teológicas ilegítimas possuiriam, apesar de serem um obstáculo para uma apresentação clara da fé católica(40);
  6. Comete o erro de dizer que uma linguagem completamente ortodoxa não é condizente com o evangelho de Jesus Cristo, já que não se adaptaria as diversas linguagens utilizadas pelos fiéis (41);
  7. Em seguida, chega a afirmar que "com a santa intenção de comunicar a verdade sobre Deus e sobre o homem, comunicamos um falso Deus com ideais humanos que não são propriamente cristãos", embora jamais faça alusão a que caso concreto se refere;
  8. Diz que a expressão da verdade pode ser multiforme, ao contrário da Humani Generis de Pio XII, que afirma que a sabedoria perene consagrou as fórmulas para a expressão da verdade católica;
  9. Cita Santo Tomas de forma incompleta, ao dizer que os preceitos dados por Cristo e seus apóstolos são pouquíssimos. Santo Tomás se referia a comparação entre os preceitos meticulosos da antiga lei e os preceitos de ligeiros de Cristo. No entanto, Santo Tomás afirma que são poucos os preceitos acrescentados aos 10 mandamentos por Cristo. No contexto, o papa dá a entender que são tão poucos os preceitos que não é preciso insistir neles e que constituiria um obstáculo a tentativa de ligá-los (43). Ademais, não menciona a lei natural impressa por Deus em nossas consciências.
  10. "As portas dos sacramentos não deveriam ser fechadas" (47).  Não esclarece quais seriam essas razões, o que permitiu que o jornal "La Nación" interpretasse a liberdade para comunhão dos casais divorciados.
  11. Fala de não sermos controladores da graça e que a Igreja não é uma fronteira, quando sabe perfeitamente que Cristo ordenara que não se atire pérolas aos porcos e do cuidado da Igreja para que o sagrado não seja pisoteado.
  12. Diz que prefere uma Igreja suja, manchada e ferida por sair as ruas do que uma  Igreja doente pela reclusão, afirmação tipicamente dialética sem substância.
  13. Põe em dúvida as normas da Igreja, que, segundo ele, nos tornam juízes implacáveis.(49)
  14. Ataca os grupos tradicionalistas de forma indireta: "formas exteriores de tradições de certos grupos  ou supostas revelações particulares que se absolutizaram."(70)
  15. Considera que as advertências sobre o fim dos tempos e a apostasia são pessimismos paralisantes e estéreis (84), e cita, para rebatê-las, a declaração de João XXIII na abertura do Concílio Vaticano II, que condena os profetas de calamidades, passagem que se sabe perfeitamente se referir ao segredo de Fátima. O curioso é que o papa Francisco também fala de não cair em otimismos ingênuos, ainda que esse mesmo discurso caia nesse mesmo otimismo.
  16. Repete alguns de seus típicos "bergoglemas" quando afirma: "Sentimos o desafio de descobrir e transmitir a mística de estarmos juntos, de mesclar-nos, de encontrarmo-nos, de tomarmo-nos nos braços..."(87).
  17. Volta a atacar os tradicionalistas ao falar de um "neo-pelagianismo auto-referencial e prometeico" inquebrantavelmente ligado ao estilo católico próprio do passado (94). Suposta segurança doutrinal ou disciplinar que dá lugar a um elitismo narcisista e autoritário, onde se perde energias para controlar (94).
  18. Faz outro ataque ao tradicionalismo quando diz que a mundanidade encontra-se em um cuidado excessivo da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, que prefeririam ser generais de exércitos derrotados (95).
  19. Promove a demagogia entre os jovens, quando lhes incumbe a necessidade de encarnar as novas tendências da humanidade, que nos abrem ao futuro(108).
  20. "Ser Igreja" é levar a salvação de Deus a este mundo, mas sem esclarecer de que devemos nos salvar ou que tipo de salvação seria essa (114).

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Breve síntese de um longo documento

Fontes do papa Francisco ao escrever a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium:
Augusto del Río


  • João Paulo II: 48 vezes;
  • Sínodo dos Bispos para a Nova Evangelização: 40 vezes;
  • Paulo VI: 24 vezes;
  • Bento XVI: 20 vezes;
  • Concílio Vaticano II: 18 vezes;
  • Santo Tomás de Aquino: 12 vezes*;
  • Documento de Aparecida: 10 vezes;
  • Santos Padres: 9 vezes;
  • Catecismo da Doutrina Social da Igreja: 7 vezes;
  • Congregação para a Doutrina da Fé: 4 vezes;
  • Documento da Terceira Conferência do Episcopado Latino-americano: 2 vezes;
  • Conferência Episcopal de EE.UU.:  2 vezes
  • Conferência Episcopal da França: 2 vezes;
  • CATIC: 1 vez;
  • Conferência Episcopal do Brasil: 1 vez;
  • Conferência Episcopal das Filipinas: 1 vez;
  • Conferência Episcopal do Congo: 1 vez;
  • Conferência Episcopal da Índia: 1 vez;
  • Comissão Teológica Internacional "O cristianismo e as religiões": 1 vez;
  • Ação Católica Italiana: 1 vez;
  • Platão: 1 vez;
  • Newman: 1 vez;
  • G. Bernanós: 1 vez;
  • Kempis: 1 vez;
  • Santa Tereza de Lieux: 1 vez;
  • Guardini: 1 vez;
  • Tucho Fernandez: 1 vez;
  • Ismael Quiles: 1 vez.
*Também Lutero inicia suas 95 teses recorrendo a Santo Tomás. Em nenhuma das 12 referências, há alguma que seja sobre a fé, a verdade ou sobre o objetivo da evangelização.

Tradução: Lucas Padrão



domingo, 1 de dezembro de 2013

Breve síntese de um longo documento


Introdução e pontualização da Exortação Apostólica "Evagelii Gaudium"
Augusto del Río

Análise Geral

  • Longo Documento (227 páginas);
  • Jamais se refere a Jesus Cristo como redentor. Há apenas uma referência aos "braços redentores do Senhor";
  • Utiliza sempre o termo "Ressuscitado" para se referir a Jesus Cristo. O termo "Nosso Senhor" é utilizado apenas uma vez;
  • Não há uma referência ao pecado original, que necessitou da redenção para ser sanado;
  • Nenhuma referência a situação de miséria do homem sem Jesus Cristo;
  • O tema principal é: o amor pessoal de Deus que feito homem, se entregou por nós e está vivo oferecendo sua amizade e salvação;
  • Não deixa claro a necessidade da nossa salvação por nossos méritos;
  • Há uma permanente desqualificação do Anúncio como um anúncio de verdades concretas;
  • Desqualificação das fórmulas "rígidas", "precisas" e "ortodoxas" que não poderiam encerrar o Anúncio[do Evangelho];
  • Não há referência ao fato de que o Anúncio implica na crença em algo concreto e determinado;
  • Jamais referencia a necessidade de converter os demais. Salienta-se o fato de escrever um documento sobre Evangelização;
  • Todas as referências são sobre converter-se, converter a Igreja para que anuncie mais eficazmente, converter os agentes de pastoral. Jamais toca no assunto da salvação dos homens que se encontram nas falsas religiões;
  • Menciona a graça, mas não dá uma clara definição do termo, não aplicando a necessidade absoluta da força sobrenatural para a salvação;
  • Não fala da condenação eterna;
  • Não deixa claro os exemplos concretos a que se refere;
  • Há uma enorme quantidade de afirmações que provocam sensações ambíguas e equívocas sobre a importância da doutrina  e do Magistério na história da Igreja;
  • Usa continuamente o termo "Povo de Deus" para se referir a Igreja com consequente ambiguidade.
Tradução: Lucas Padrão

domingo, 30 de dezembro de 2012

Discurso de Urbano II no Concílio de Clermont

"Acabais de ouvir o enviado dos cristãos do Oriente (São Pedro de Amiens). Ele vos disse da sorte lamentável de Jerusalém e do povo de Deus; ele vos disse de como a cidade do rei dos reis, que transmite aos outros os preceitos de uma fé pura, foi obrigada a servir às superstições dos pagãos; de como o túmulo milagroso, onde a morte não pode conservar sua presa, esse túmulo, fonte da vida futura, sobre o qual surgiu o sol da ressurreição, foi manchado por aqueles que não devem ressuscitar, senão para servir de palha ao fogo eterno. A impiedade vitoriosa espalhou suas trevas nas mais ricas regiões da Ásia: Antióquia, Éfeso, Nicéia, tornaram-se cidades muçulmanas; as hordas bárbaras dos turcos chantaram seus estandartes nas margens do Helesponto, de onde ameaçam todos os países cristãos. Se Deus mesmo, armando contra elas seus filhos, não as detiver em sua marcha triunfante, que nação, que reino, poderá fechar-lhes as portas do Ocidente?"
(...)
"O povo, digno de elogios, esse povo que o Senhor, nosso Deus, abençoou, geme e sucumbe sob o peso dos ultrajes e das exacções mais vergonhosas. A raça dos eleitos sogre indignas perseguições; a raiva ímpia dos sarracenos não respeitou nem as virgens do Senhor, nem o colégio real dos sacerdotes. Eles carregaram de ferros as mãos dos enfermos e dos velhos; crianças arrancadas dos braços maternos esquecem agora entre os bárbaros o nome do verdadeiro Deus; os asilos que esperavam os viajantes pobres na estrada dos santos lugares receberam sob seu teto profanado uma nação perversa; o templo do Senhor foi tratado como um homem infame e os ornamentos do santuário foram arrebatados como escravos. Que vos direi mais? No meio de tantos males, quem poderia reter em suas casas desoladas, os habitantes de Jerusalém, os guardas do Calvário, os servidores e os concidadãos do Homem-Deus. se não se tivesse imposto a eles a lei de receber e de socorrer os peregrinos, se eles não tivessem receio de deixar sem sacerdotes, sem altares, sem cerimônias religiosas uma terra toda coberta ainda pelo sangue de Jesus Cristo?"
(...)
"Ai de nós, meus filhos e meus irmãos, que vivemos nestes dias de calamidades! Viemos então a este século reprovado pelo céu para ver a desolação da cidade santa e para vivermos em paz, quando ela está entregue nas mãos de seus inimigos? Não é preferível morrer na guerra do que suportar por mais tempo esse horrível espetáculo? Choremos todos juntos nossas faltas que armaram a cólera divina; choremos, mas que nossas lágrimas não sejam como a semente lançada sobre a areia e a guerra santa se acenda ao fogo de nosso arrependimento; e o amor de nossos irmãos nos anime ao combate e seja mais forte que a mesma morte, contra os inimigos do povo cristão."
(...)
"Guerreiros que me escutais, vós que procurais sem cessar vãos pretextos de guerra, alegrai-vos pois eis aqui uma guerra legítima: chegou o momento de mostrar se estais animados por uma verdadeira coragem; chegou o momento de expiar tantas violências cometidas no seio da paz, tantas vitórias manchadas pela injustiça. Vós que fostes tantas vezes o terror de vossos concidadãos e que vendíeis por um vil salário vossos braços ao furor de outrem, armados pela espada dos Macabeus, ide defender a casa de Israel, que é a vinha do Senhor dos exércitos. Não se trata mais de vingar as injúrias dos homens, mas as da Divindade; não se trata mais do ataque de uma cidade ou de um castelo, mas da conquista dos santos lugares. Se triunfardes, as bênçãos do céu e os reinos da Ásia serão vosso prêmio; se sucumbirdes, tereis a glória de morrer nos mesmos lugares onde Jesus Cristo morreu e Deus não se esquecerá de que vos viu em sua santa milícia. Que afeições fracas e covardes, sentimentos profanos não vos prendam em vossos lares; soldados do Deus vivo, escutai somente os gemidos de Sião; quebrai todos os liames da terra e lembrai-vos do que o Senhor disse: Aquele que ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; todo aquele que deixar sua casa, ou seu pai, ou sua mãe, ou sua esposa, ou seus filhos, ou sua propriedade por meu nome será recompensado com o cêntuplo e terá a vida eterna."
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A assembléia dos fiéis, levados por um entusiasmo que jamais a eloquência humana tinha inspirado, ergue-se totalmente e fez ouvir estas palavras: Deus o quer!
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Fonte: Joseph-François Michaud - História das Cruzadas volume 1 páginas 88 a 91

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Curso de Teologia Dogmática - 3ª Aula


CURSO DE TEOLOGIA DOGMÁTICA

 3ª Aula – Da Criação – O mundo material

 (Antes de continuar, é bom que se faça um pequeno registro. As postagens referentes a este curso consistem em um pequenino resumo das aulas ministradas semanalmente aos membros do Grupo São Domingos. Assim, os assuntos tratados nessas aulas, bem longe de serem esgotados, tendem a incutir nos membros o desejo de pesquisas, as quais podem ser feitas usando uma singela coleção de livros disponível ao grupo).

A narrativa do Gênesis é uma síntese histórico-teológica que usa de linguagem popular com o fito de atingir o entendimento das pessoas. Ora, de nada adiantaria se o Espírito Santo inspirasse Moisés a tecer os pormenores de como se deu a criação dos elementos químicos e físicos, a estruturação das moléculas, enfim, a formação detalhada do micro e do macrocosmo, sabendo-se que esse conhecimento não seria aproveitado pelo povo escolhido, já que o objetivo era a sua instrução religiosa. Daí a referência a fenômenos da natureza segundo as suas aparências. E isso vemos em toda a Sagrada Escritura como, por exemplo, é dito que Deus parou o sol para que, prolongando o dia, Josué vencesse uma batalha. Aliás, passagem essa estultamente criticada por Galileu dizendo que Deus não poderia parar o sol já que a terra é que gira. Se assim o fosse devíamos banir de nosso vocabulário expressões como “o sol nasceu”; “o sol se pôs”; etc. Portanto, deve-se ter em mente que há correntemente o uso da linguagem popular não só no Gênesis, mas também em toda a Sagrada Escritura.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

CURSO DE TEOLOGIA DOGMÁTICA - 2ª Aula


CURSO DE TEOLOGIA DOGMÁTICA

 2ª Aula – Da Criação - Os Anjos

Ao nos depararmos com as obras de Deus, atribuímo-las às Pessoas Divinas por meio de Apropriação. Na verdade, a Santíssima Trindade realiza as obras divinas. Porém, como o Pai é o princípio das outras duas Pessoas, por geração e processão, atribuímos a Ele a obra da Criação. Ao Filho, por ser o Verbo Divino, atribuímos as obras de sabedoria, como a ordem do universo e sua posterior restauração. Ao Espírito Santo, por ser procedido do Amor Divino, atribuímos as obras de amor, como a Santificação das almas. No entanto, há obras que são exclusivas da Segunda Pessoa como a Encarnação e a Redenção, pois somente o Filho se encarnou no seio puríssimo da Santíssima Virgem e somente Ele morreu na Cruz, etc.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

CURSO DE TEOLOGIA DOGMÁTICA


Estimados leitores, conforme prometido, daremos início às postagens de um resumido curso de Teologia Dogmática, do Grupo São Domingos de Gusmão.

CURSO DE TEOLOGIA DOGMÁTICA

Adiante trataremos das provas da existência de Deus, mas nesse curso partiremos do pressuposto de que Deus existe.

Se Ele existe teria de se revelar ao homem?

Sim, se não o fizesse seria uma obra imperfeita. O que nos leva ao defeito de Aristóteles em Teodiceia (uma das partes da Metafísica), o qual afirmava que "Deus in sub lunam non curat" (Deus não cuida do que está sob a lua – a terra); ou seja, que Deus criou tudo e se foi. Ora, na verdade, sabemos que Deus não só Se revelou a nós, como também cuida desde um simples cair de cabelo aos movimentos dos astros.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Palestra sobre a necessidade do reinado social de Cristo - Pe Daniel Maret (FSSPX)

Alguns pretendem dizer que o reinado de Cristo não é na Terra. É somente no céu. Isso não corresponde a história e não corresponde ao próprio evangelho. Então vamos tentar ver historicamente como se dá esta realeza de Jesus. 
Como se vê nos evangelhos, Jesus recusou a coroa que os judeus lhe ofereceram. Ele não queria esta realeza a moda judaica, isto é segundo um messianismo temporal que pretende substituir os reinos existentes a fim de escravizar todos os povos, colocando-os a serviço do povo eleito. Deus não queria dessa forma, por isso que recusou. Evidentemente segundo a tradição judaica, a única maneira de o messias aparecer, seria como um rei. Isso é verdade, aliás uma verdade constante, o filho do rei Adão deve ser um rei. Mas há realezas e realezas e Jesus vem estabelecer uma realeza especial, que tem a característica de ser universal, acima de todas as autoridades para ter uma influência sobre todas elas e não fazer um reino particular entre os reinos já existentes em que o seu reino suplantaria todos os reinos à moda terrena. O reino de Jesus é transcendente. 
Primeiro, há a concepção de que Jesus vem como restaurador das obras de seu Pai. Ele não renega o que fez o Seu Pai. Todas as autoridades vem do Seu Pai, de Deus e devemos respeitar todas as autoridades por amor a Jesus Cristo, na fidelidade de Jesus Cristo. O desejo de ver triunfar a verdade nas autoridades é o que se espera. 
Então se vê que muitas vezes se ouve falar que Jesus nunca fez política, economia, obra social e isso não é verdade. O fato é que Deus, Jesus Cristo, restabeleceu os princípios  de toda a vida social, por isso é preciso analisar o evangelho no contexto histórico no qual Jesus apareceu. 
Jesus apareceu em um mundo que era socialmente oriental, culturalmente greco e economicamente romano. Cada uma dessas orientações dadas respectivamente pelos essênios, saduceus e fariseus. Jesus não vai apoiar os saduceus, tampouco os essênios, os fariseus menos ainda e condenou a posição de cada um deles. Cristo não apresentou uma religião apolítica, como os essênios pretendiam, mas apresentou uma linha social, uma linha política, uma linha doutrinária por isso que os cristãos, naturalmente a tradição
Por isso que naturalmente a tradição cristã transmite valores sociais e com a presença da igreja na sociedade tem-se um resultado político e social. Isso é interessantíssimo.
Desta maneira, na história da igreja pode-se verificar o seguinte:

  • O choque da Igreja Católica com o mundo antigo (judaico, grego e romano)
    O mundo judaico representa todo fundamento da piedade religiosa, o mundo grego representa toda a cultura e o mundo romano toda a política e o exercício de autoridade. Cristo vai dar orientações aos gregos, aos romanos e aos judeus de forma a gerar orientações sociais, políticas e religiosas.
Apesar de em número inferior, em Roma começou toda uma obra social em que os católicos cuidavam de cerca de 5000 pessoas como doentes, órfãos enfim pessoas rejeitadas pela sociedade. Essa prática começou a chamar a atenção da civilização. 
Por exemplo, os pobres eram instrumentalizados pelo estado. No mundo pagão o imperador fornecia pão, jogo , fartura para acalmar o povo já que precisava de uma calma política. De forma que a vida social era sob certo aspecto calculada, mas não havia uma preocupação social. Foi a Igreja que instalou no mundo pagão essa preocupação e essa ideia vai crescer e se impor. 
Foram precisos 3 séculos de perseguição, de afronta contra este espírito (tal perseguição que provocara milhares de conversões) e assim sendo perseguida a Igreja vai crescer, quando finalmente no séc IV tem-se o triunfo do cristianismo no momento em que o imperador Constantino cria um edito para oferecer liberdade religiosa a Igreja Católica (a Igreja vai sair das catacumbas).
Obviamente ainda havia o culto pagão, mas agora a Igreja começa uma luta frente a frente entre a concepção da sociedade pagã e a concepção cristã e em menos de 1 século a Igreja vai triunfar ao ser reconhecida como uma religião mais útil, mais favorável ao estado e à sociedade, se tornando a religião oficial do estado. A religião pagã vai ser condenada e ser associada ao prejuízo da sociedade. Assim , o catolicismo na sua obra social vai ser reconhecido como melhor apoio para a obra social, para a prosperidade do estado, suprimindo a corrupção e outros crimes em geral.
Depois os cristãos vão começar a desempenhar cargos na sociedade que vão revelar aos pagãos a superioridade da concepção cristã. Se vê como Jesus virá a reinar. Isso é o reino social de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A segunda etapa é marcada historicamente pela invasão dos bárbaros. Os bárbaros vão destruir todas a estrutura social existente e mundo romano vai cair, quer dizer, a organização social romana sucumbirá. Todos os valores sociais, políticos vão ser destituídos pelos bárbaros que vão despojar a sociedade romana de todos os seus tesouros e instalar a bagunça e a violência por todo o império. Assim é que Jesus Cristo vai reinar sobre essa situação e vai exercer o seu poder através da Igreja Católica, conservando os valores do mundo antigo, os valores culturais gregos, os valores políticos do mundo romano e transmitindo, melhorando e purificando-os. Com o apoio dos bárbaros, a igreja vai reconstruir a sociedade com a ajuda da piedade, ensinando aos bárbaros  como exercer autoridade. E assim, os bárbaros vão aos conventos ver o exemplo dos monges, a organização dos conventos, seguir o exemplo dos bispos, o exercício de poder dos bispos, sendo que os bispos se tornaram referência de forma que por todos os lugares dizia-se que debaixo do báculo do bispo florescia a prosperidade, o fim das brigas etc, mostrando o bispo como um pacificador e ordenador da sociedade.
Foi através desse exemplo associado com a doutrina da Igreja que todo esse mundo romano foi melhorado e cristianizado , dando origem a era medieval. Jesus vai exercer o seu reino sobre as inteligências, sobre as autoridades para formar esse período da Idade Média apenas seguindo o modelo do evangelho.
Então , com poucos recursos materiais, a Igreja Consegue fundar uma sociedade evoluída e realizar obras que vão ficar por toda a eternidade como as universidades, a organização social, arquitetura, urbanização. Se estudarmos e aplicarmos os princípios da urbanização, a disciplina no exercício da inteligência, o método da ciência, se os aplicarmos, teremos alto grau de sucesso. Isso é o fruto do reino de Jesus através de sua Igreja.
Agora, o demônio não deixou realizar esta obra até o fim e começou a suscitar nos meios intelectuais todo o movimento da Renascença, a revolução. Embora a Igreja tivesse criado todas as condições necessárias para  a cultura, foram exatamente pessoas de dentro desse ambiente que se apoderaram da cultura para fazer a obra revolucionária da Renascença e vão utilizar os meios próximos da Igreja, próximos de Roma, pessoas designadas pelo papa, que entraram nesse projeto que é a revolução, onde se vê triunfar o orgulho humano, que quer destronar Jesus Cristo para endeusar o homem.
Esse empreendimento vai causar a primeira revolução em Roma e depois vai se arrastar para a Alemanha, França e outros países, causando todo um movimento humanista orgulhoso que pretende restaurar o paganismo, retirando todos os esforços da Igreja para cristianizar essa cultura pagã.
Obviamente, várias revoluções vão sair dessa corrente. A primeira revolução é a revolução protestante, depois a maçonaria que vai gerar a revolução francesa e finalmente a revolução materialista comunista. Isso vai ocasionar um novo espírito, que será o espírito moderno. Um espírito que quer se desfazer da tutela da Igreja e que quer fundar uma sociedade sem a participação da Igreja, sem os valores da revelação o que vai ser a maçonaria.  Depois o demônio limitou o esforço que a Igreja, mas apesar desses obstáculos, a Igreja vai continuar a desenvolver essa doutrina do Reino Social de Jesus Cristo, vai criar diversos movimentos sociais católicos para resolver esse problema dramático dos operários que é um problema surgido por causa da revolução pagã, que pretende criar uma sociedade do trabalho sem a moral católica, criar uma identidade econômica sem a doutrina cristã.
Então vamos assistir a uma luta entre a Igreja que vai cada vez mais definir melhor toda sua doutrina social que ela praticou desde o início, mas que com todos os ataques se fará necessária uma definição do valor dessa doutrina social. Em contrapartida, o mundo demonstrará o fracasso social dessa doutrina que quer renegar esse reino de Jesus Cristo. Ou seja, o mundo atual está a nos apresentar uma confirmação da necessidade do reino de Jesus Cristo para que as coisas humanas funcionem.
Viva Cristo Rei.

(Palestra proferida em 29/out/2012 em Campos/RJ)

domingo, 28 de outubro de 2012

Sermão de 28/10/2012 - Pe Daniel Maret [Fragmento]

[...]Pilatos não acreditava na verdade, era um agnóstico, um pragmático. A verdade para ele era o que é útil. Esta maneira de exercer autoridade era uma maneira indigna, porque sem Jesus, os homens não sabem exercer a autoridade. 
Claro que no paganismo há alguns exemplos de exercício de autoridade pelo menos bons, mas sem duração, sem permanência. Foi muito breve na história humana alguns exemplos como estes e estavam centrados em interesses particulares, sob utilização das necessidades, mas nunca os homens conseguiram por muito tempo exercer essa função social. Por isso que Jesus, o messias, quis vir restaurar todas as coisas, restaurar tudo: a criação geral, o sacerdócio e a autoridade. Assim Jesus Cristo é Deus, sacerdote, sumo sacerdote e rei, isso não pode ser de outra maneira.
Os modernistas pretendem que , sob uma certa interpretação do texto evangélico, que o reino de Jesus não devia se exercer na Terra, que Jesus , no seu reino, não devia se intrometer nas coisas humanas e que o reino de Jesus começa na eternidade, se exerce na eternidade sobre os santos, mas não vem se intrometer nas coisas humanas. Por isso que os modernistas renegarem esta festa [Festa de Cristo Rei] para o fim do ano para mostrar que enquanto a igreja apresenta as realidades do fim do mundo, os modernistas apresentam a realidade de Cristo Rei no fim do mundo.  Isso não é católico. A nossa fé a Jesus Cristo confessa que Cristo na sua realeza exerce sua autoridade de rei na sociedade humana; ajuda o pai a exercer sua autoridade; o rei, o príncipe, o presidente... Por isso que o estado quer se separar da Igreja Católica, que não quer o ensino do evangelho, quer somente os valores humanos (como o ideal da maçonaria - que a família humana se governe sem a ajuda de Jesus, sem a ajuda da Igreja) e esta ideia adentrou a Igreja Católica, primeiro através das correntes liberais, e agora através das correntes modernistas.  Por isso que nós devemos aproveitar essa festa de Cristo Rei para manifestar a nossa fé, que deve combater a corrente liberal e a corrente modernista. Temos que dizer que se o reino de Jesus não veio para substituir o exercício da autoridade humana, mas veio para reformá-la, ele vai retornar. Por isso que a verdade do evangelho serve para a política, para a economia, serve para todas as obras sociais. A igreja não só serve para a piedade, mas serve para tudo, para reformar tudo, todas as instituições. Assim é que a sociedade não pode ser laicista. A sociedade deve ser forçosamente católica, essa a sua vocação. Na sua autoridade, Jesus tem essa pregação: quer reinar sobre os homens para fazer triunfar a verdade do evangelho nas constituições. Isso que é o nosso combate. Um combate não só pela missa, mas um combate que vem da missa.
É diante do altar que o rei vai aprender a governar.
No Brasil , com toda esta corrupção, com todo esse exercício corrupto da autoridade, os príncipes, os presidentes, aqueles que assumem funções sociais deviam se ajoelhar diante do altar para renunciar a tudo, para se apresentar disponível a servir o bem comum de uma maneira desinteressada. Isso que é o mistério católico. O mistério católico é para nos corrigir da nossa ganância, do nosso interesse quando exercemos uma função.
Então devemos rezar a Cristo Rei para melhor exercer na nossa inteligência a submissão a fé, submeter todos os movimentos do nosso coração debaixo da lei de Jesus e depois obter uma função social que tenha a preocupação de conhecer a doutrina social da Igreja, de conhecer como se exerce a justiça do evangelho em cada exercício de função e assim a sociedade se tornará um meio para confessar a fé católica, se tornará um monumento católico, que vai ser uma fonte de graças atuais para inúmeras almas - pessoas que querem viver em sociedade - , uma sociedade com valores humanos restaurados e ao mesmo tempo valores cristãos de salvação, de misericórdia. Isso permitirá que muitos homens, tendo acesso a riqueza da fé católica, possam cumprir suas aspirações profundas que é de ser feliz sempre. Somente em uma sociedade católica é que o homem vai encontrar os meios para realizar esse seu destino, de regular as suas paixões e de encontrar todos os meios para se converter e cumprir tal destino que é a felicidade eterna.
Rezemos a Nossa Senhora Aparecida  que nos ajude a recolocar no trono o seu filho amado. 
Que Jesus reine sobre nosso coração, sobre nossa vida e sobre nossa sociedade.



Pe Daniel Maret é prior do priorado José de Anchieta, filial da Fraternidade São Pio X no Brasil

obs.: Devido seu sotaque não consegui transcrever seu texto na íntegra.

sábado, 7 de abril de 2012

DO TRATADO DE SANTO AGOSTINHO SOBRE OS SALMOS II

Extraído do 2º Noturno de Matinas do Sábado Santo



4ª Lição



“Descerá o homem ao mais fundo do seu coração, mas Deus será glorificado”. Os judeus disseram: quem nos verá? Mas ficaram logrados nos seus planos perversos. Compreendeu o homem Deus os seus planos e deixou-se prender como homem. Se não se tivesse revestido da nossa humanidade, nem os judeus o teriam prendido, nem visto, nem ferido, nem crucificado, nem morto. Submeteu-se, pois, o homem Deus a todos estes trabalhos que nada poderiam com ele, se não fosse homem. Mas se Ele não se fizesse homem, o homem não seria resgatado. Entrou, pois, o homem no fundo do coração, quer dizer, no mais secreto, apresentando-se homem ao olhar dos homens e guardando Deus oculto, dissimulando a divindade pela qual era igual ao Pai e ostentando inferior ao Pai...


5ª Lição



E até onde levaram os seus gorados planos? Até colocarem guardas no túmulo do Senhor, porque, mesmo já morto e sepultado, ainda lhes inspirava medo. Disseram, pois, a Pilatos: “Aquele sedutor”; tratavam assim Nosso Senhor Jesus Cristo, e isto deve servir de consolação para os cristãos, quando os caluniar o mundo; aquele sedutor, disseram, disse quando ainda vivia que havia de ressuscitar depois de três dias. Manda, portanto, guardar a sepultura até ao terceiro dia, não seja que venham os discípulos e o roubem e digam ao povo que ressuscitou e será o último erro pior do que o primeiro. E disse-lhes Pilatos: Tendes guardas, guardai-o como entenderdes. E eles partiram, selaram a pedra do sepulcro, e puseram-lhe guardas...


6ª Lição



Colocaram soldados no sepulcro para o guardarem. De repente, abalou-se a terra e o Senhor ressuscitou e tais milagres se deram à volta do sepulcro que até os soldados que estavam de guarda podiam ser testemunhas, se quisessem dizer a verdade. Mas aquela avareza que seduziu o apóstolo de Cristo seduziu o guarda do sepulcro. Nós damos-vos dinheiro, dizem-lhes os judeus, e dizei que enquanto dormíeis vieram os discípulos e roubaram-no. Goraram-lhes os planos realmente. Que é que dizes tu, ó infeliz astúcia? É preciso que tenhas perdido toda a luz e mergulhado nas trevas da loucura, para nos vires dizer uma coisa destas: dizei que enquanto dormíeis vieram os discípulos e roubaram-no. Como! Chamas a depor testemunhas que viram a dormir. Tu é que estavas a dormir quando tais coisas urdiste...


sexta-feira, 6 de abril de 2012

DO TRATADO DE SANTO AGOSTINHO SOBRE OS SALMOS (63, 2)

Extraído do 2º Noturno de Matinas da Sexta-Feira Santa



4ª Lição

“Defendestes-me ó Deus, da conjuração dos homens e da multidão dos que operam a iniquidade”. Olhemos já agora com atenção para Aquele que é a nossa cabeça. Muitos mártires sofreram estas coisas, mas em nenhum alcançam tamanho relevo como no que é cabeça de todos eles. Aqui vemos melhor o que eles sofreram. Foi defendido da multidão dos homens perversos; defendeu-o Deus, defendeu-se ele mesmo que é Filho de Deus e homem, não abandonando o seu corpo. Porque Ele é ao tempo Filho do homem e Filho de Deus. Filho de Deus por causa da natureza divina; Filho do homem por causa da natureza humana de que se revestiu; tendo o poder de perder e recuperar a sua vida. Que lhe fizeram os inimigos? Mataram-lhe o corpo, mas não lhe mataram a alma. Reparai bem. Era pouco que o Senhor exortasse os mártires com palavras, se não desse o exemplo...


5ª Lição

Sabeis que conjuração era esta de judeus perversos e qual a multidão dos que operam a iniquidade. Que iniquidade? Porque quiseram matar Nosso Senhor Jesus Cristo. Realizei, diz, na vossa presença tantas obras boas, por qual delas me quereis matar? Acolheu com bondade todos os enfermos, curou os doentes, pregou o reino de Deus, não lhes calou os vícios, e isto devia-lhes inspirar ódio dos vícios e não do médico que lhos queria curar. Mas foram ingratos a tudo isto e como frenéticos e tomados de fúria selvática lançaram-se contra o médico que os viera curar e pensaram mata-lo, como para verificar com isto se era mortal ou algum super-homem inacessível aos golpes da morte. Salomão profetizou as palavras que eles disseram: condenemo-lo a uma morte infamante e vejamos se o que Ele diz é verdade. Se é o Filho de Deus, Deus que o livre...



6ª Lição

Aguçaram suas línguas contra mim como um gládio. Não digam os judeus: Não matamos Cristo. Com este fim O entregaram realmente nas mãos de Pilatos, para se darem por irresponsáveis da sua morte. Pois, quando lhes disse Pilatos que O matassem eles, responderam que não lhes era lícito matar ninguém. Queriam, pois, carregar o juiz com a maldade do seu crime. Mas poderiam eles iludir o Juiz eterno? Pilatos, porque praticou o crime, não pode por isso mesmo considerar-se inocente; mas ao lado deles merece muito mais condescendência. Tentou por quanto pôde arrancar-lho das mãos, e com este fim mandou-O flagelar. Não flagelou o Senhor por justiça, mas para ver se lhes saciava o furor e os abrandava e os levava a desistir do crime, vendo o Senhor flagelado. Fez isto. E porque eles persistiram, sabeis que lavou as mãos e se declarou irresponsável naquela morte. No entanto mandou-O matar. Mas se ele é réu, que matou o Senhor, coagido, eles são inocentes, que o obrigaram a dar-Lhe a morte? De modo nenhum. Ele proferiu a sentença e mandou-O crucificar, foi por assim dizer quem O matou; mas quem matou o Senhor realmente fostes vós, ó judeus. Com quê? Com a espada da língua, porque afiastes as vossas línguas. E quando O feristes? Quando gritastes: crucifica-o, crucifica-o...

domingo, 1 de abril de 2012

DOMINGO DE RAMOS

(Santo Afonso Maria de Ligório – Meditações)


I. Estando próximo o tempo da Paixão, o nosso Redentor parte de Betânia para fazer a sua entrada em Jerusalém. Contemplemos a humildade de Jesus Cristo, que, sendo o Rei do céu, quer entrar naquela cidade montado numa jumenta. – Ó Jerusalém, eis que o teu rei aí vem humilde e manso. Não temas que ele venha para reinar sobre ti ou apossar-se das tuas riquezas; porquanto vem a ti cheio de amor e piedade para te salvar e dar-te a vida pela sua morte.
Entretanto os habitantes da cidade, que, havia já tempos, o veneravam por causa de seus milagres, foram-lhe ao encontro. Uns estendem os seus mantos na entrada por onde passa, outros juncam o caminho, em honra de Jesus, com ramos de árvores. – Oh! Quem teria dito que o mesmo Senhor, acolhido agora com tanta demonstração de veneração, havia de passar por ali dentro em poucos dias como réu condenado à morte, com a cruz aos ombros!
Meu amado Jesus, quisestes fazer a vossa entrada tão gloriosa, a fim de que a vossa paixão e morte fosse tanto mais ignominiosa, quanto maior foi a honra então recebida. A cidade, ingrata, em poucos dias trocará os louvores que agora vos tributa, por injúrias e maldições. Hoje cantam: “Glória a vós, Filho de Davi, sede sempre bendito, porque vindes para nosso bem em nome do Senhor”. E depois levantarão a voz bradando: Tolle, tolle, crucifige eum – “Tira, tira, crucifica-o” (Jo. 19, 5). – Hoje tiram os próprios vestidos; então tirarão os vossos, para Vos açoutar e crucificar. Hoje cortam ramos e estendem-nos debaixo de vossos pés; então, tomarão ramos de espinheiro, para Vos ferir a cabeça. Hoje bendizem-Vos, e depois hão de cumular-Vos de contumélias e blasfêmias. – Eia, minha alma, chega-te a Jesus e dize-lhe com afeto e gratidão: Benedictus, qui venit in nomine Domini – “Bendito o que vem em nome do Senhor” (Mt. 21, 9).

II. Refere depois o Evangelista, que Jesus chegando perto da infeliz cidade de Jerusalém, ao vê-la, chorou sobre ela, pensando na sua ingratidão e próxima ruína. – Ah, meu Senhor, chorastes então sobre Jerusalém, mas chorastes também sobre a minha ingratidão e perdição; chorastes ao ver a ruína que eu a mim mesmo causava, expulsando-Vos de minha alma e obrigando-Vos a condenar-me ao inferno. Peço-Vos, deixai que eu chore, pois que a mim compete chorar ao lembrar-me da injúria que Vos
fiz ofendendo-Vos. Pai Eterno, pelas lágrimas que vosso Filho então derramou por mim, dai-me a dor de meus pecados, já que os detesto mais que qualquer outro mal e resolvido estou a amar-Vos para o futuro, de todo o coração.
Depois que Jesus entrou em Jerusalém, e se fatigou o dia todo na pregação e na cura de enfermos, quando chegou a noite, não houve quem o convidasse a descansar em sua casa; pelo que se viu obrigado a voltar para Betânia. – Santa Teresa considerando certa vez num Domingo de Ramos, naquela descortesia para com o seu divino Esposo, convidou-o humildemente a vir hospedar-se no seu pobre peito. Agradou-se o Senhor tanto do convite de sua esposa predileta, que, ao receber a sagrada Hóstia, afigurava-se à Santa que tinha a boca cheia de sangue vivo e ao mesmo tempo gozava uma doçura paradisíaca.
Também tu, meu irmão, dirige a Jesus, especialmente quando te aproximas da santa comunhão, o convite que venha hospedar-se em tua alma, de não sofrer mais. – E agora roga a Deus que, “tendo ele feito Nosso Senhor tomar carne e sofrer a morte de cruz, para dar ao gênero humano um exemplo de humildade para imitar, te conceda a graça de aproveitar os documentos de sua paciência e de alcançar a glória da ressurreição” (Or. Dom. cor.). – Recomenda-te também à intercessão da Virgem Maria.

(Meditações, Tomo I, Domingo de Ramos, pp. 392-395)

sexta-feira, 9 de março de 2012

Porque devemos apoiar a Fraternidade São Pio X?

Primeiramente para conservarmos a verdadeira fé: Católica Apostólica Romana. Esta mesma fé que aprendemos nos seus vinte séculos de cristianismo.
       A Santa Igreja é o eco fidelíssimo do Nosso Divino Redentor. O que Ela ensinou nas catacumbas continua viva, verdejantes em todos os tempos e também nos dias atuais.
       Não tem um dogma empalidecido com o tempo. Na Santa Igreja, são verdades antigas e sempre novas. Deus não envelhece! Ela às vezes reveste de uma nova roupagem, trazendo à tona verdades cridas pelos fiéis há séculos.
       Com o dogma da Imaculada Conceição, Assunção de Nossa Senhora ao Céu, etc., mas Ela nunca se contradiz.
       Em época de crise, de heresia e confusão, vamos trilhar os exemplos dos santos: «Seguir aquilo que foi crido e por todos ensinados».
       Quando debruçamos para estudar a história da Santa Igreja, vemos estampada em todos os momentos de crise. O «dedo» da Providência, suscitando homens de fé viva, de têmpera, de coragem para defender os Sagrados Direitos de Deus.
       Em todos os séculos, Deus vai realizando as grandes maravilhas para conduzir a Barca de Pedro, nestas águas revoltas deste mar bravio.
       Quando o modernismo assolava o seio da Santa Igreja. No fim do século XIX, Deus envia o grande Papa São Pio X para condenar esta heresia assoladora, que ia arrastando como uma avalanche tudo que era sagrado e santo.
       No meado do século passado, quando a heresia modernista ressurge com toda a fúria, tendo com base o Concílio Vaticano II. Deus envia dois grandes heróis na fé: Monsenhor Marcel Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer, como outrora para combater a heresia ariana. A Providência envia Santo Atanásio e Santo Hilário.
       Na Europa, Monsenhor Lefebvre fundou a Fraternidade São Pio X para dar continuidade à fé imaculada de todos os tempos, sagrando quatro Bispos, para não deixar os milhares de fiéis sem uma orientação segura, nestas horas tão difíceis.
       No Brasil, tivemos uma graça toda especial de termos à frente da Diocese de Campos, o famoso Bispo Dom Antônio de Castro Mayer que nos orientou durante o seu longo pastoreio.
       Aqui, todos nós católicos praticantes, somos imensamente gratos por termos à frente desta Diocese um tão abnegado pastor.
       Quando um novo Bispo assumiu a referida Diocese e foi plantando com toda a fúria o modernismo ou progressismo, os verdadeiros católicos reagiram com todo o empenho para defender a fé imaculada e foram forçados a abandonar as igrejas, refugiando nos cinemas abandonados, colégios particulares, nas casas, etc.
       Quando surgiu a notícia que haveria um acordo entre Roma e os Padres da tradição de Campos, todos nós enchemos de esperança na convicção de termos sempre a doutrina católica resguardada dos perigos dos erros do modernismo.
       No entanto, aconteceu o contrário. Aqueles que nós esperávamos de dar continuidade, se envolveram nos erros atuais da igreja nova. Então, fomos forçados a tomar outras medidas para conservar a fé imaculada.
       Os verdadeiros católicos perplexos, atônitos, confusos; sem um pai espiritual que pudessem governar, orientar nestas horas tão angustiantes, tiveram a feliz ideia de convidar os Padres da Fraternidade São Pio X para nos socorrer neste «mar» revolto de tanta incerteza.
       Sempre solícitos, os responsáveis pela mencionada Fraternidade prontifica a nos ajudar, enviando-nos sacerdotes para celebrar a verdadeira Missa, dando-nos os Sacramentos, orientando-nos para não cairmos nas ciladas dos inimigos.
       Todos nós deveríamos ser gratos por tamanha benevolência. Padres que abandonaram inúmeros outros afazeres para nos atender. Vindos de tão longe, sem medir esforços, atravessando obstáculos para cumprir a Lei suprema da Santa Igreja: «Salvar almas!» «Para onde iremos
       A Fraternidade não tem doutrina própria. A doutrina que ela ensina está sedimentada na tradição da Santa Igreja. A qual é infalível, caso contrário, a Fraternidade seria mais uma das centenas de seitas espalhadas pelo mundo.
       A direção da mesma é amparada por dezenas de «âncoras», as quais, só tomam uma atitude decisiva, quando consultam de comum acordo com os demais.
       Nossa missão perante Deus é muito grave. Apoiamos ou vamos esperar que o pior aconteça primeiro?
       A hora é esta! Vamos participar para que não aconteça conosco esta triste frase: «Eis que Jesus passou e não voltou mais». Não correspondida a hora da graça, como vamos responder a Nosso Senhor na hora da nossa morte?

Joelson Ribeiro Ramos.
25-02-2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Santo de Cada dia - 17 de fevereiro

Os sete Santos Fundadores dos Servitas
No século XIII, andando os mais cultos povos da Itália divididos pelo cisma de Frederico II, e pelas sanguinolentas lutas das facções políticas, quis Deus, na sua misericórdia e providência, suscitar, além doutras varões ilustres pela santidade, sete nobres de Florença que, unidos entre si pela caridade, dessem notável exemplo de amor fraterno. Chamavam-se Bonfiglio Monaldi, Bongiunta Manetto, Manetto Antelense, Amídio Amidei, Ugoccio Ugoccioni, Sosténio de' Sostegni e Alessio Faconieri.
No ano de 1233, no dia da Assunção de Nossa Senhora, estando eles numa reunião piedosa duma irmandade chamada dos Laudantes, foram avisados pela mãe de Deus que deveriam abraçar um modo de vida mais santo e mais perfeito.
De acordo com o bispo de Florença, estes sete varões ilustres, pondo de parte as riquezas, vestiram-se pobremente, cingiram-se com cilícios e, no dia 8 de setembro, natividade de Maria Santíssima, retiraram-se para uma capelinha de aldeia, a fim de começarem nova e santa vida.
Quis Deus mostrar por um milagre quando Lhe era agradável este modo de viver. De fato, como depois estes sete ilustres varões andassem na cidade de Florença a pedir esmola de porta em porta, aconteceu que de repente foram chamados servos de Maria pela voz das crianças, entre as quais se contava São Felipe Benício, que tinha apenas 5 meses de idade.
Daí em diante foram sempre chamados os servos de Maria. Para evitar o bulício do mundo, e levados pelo amor da solidão, reuniram-se todos no monte Senário e aí levaram vida quase celestial.
Viviam em cavernas, alimentando-se apenas de legumes e água, mortificavam o corpo com vigílias e outras austeridades, meditando assiduamente a paixão de Cristo e as dores da sua amargurada mãe.
E, como uma ocasião, em sexta-feira santa, se empregassem mais fervorosamente nessa meditação, apareceu-lhes de novo a Santíssima virgem e mostrou-lhes o vestuário de luto que deviam usar., certificando-os de que lhe seria muito agradável se eles fundassem na igreja uma nova ordem religiosa. Devia ocupar-se em promover a devoção às suas dores, pela contínua meditação do que ela sofreu junto a cruz do senhor.
E, como Pedro de Verona, glorioso mártir  da ordem dos pregadores, pelas suas familiares relações com aqueles santos e ainda por uma particular visão da santíssima virgem, tivesse conhecimento disto, convenceu-os a fundar uma Ordem regular, chamada dos Servos da Bem-aventurada Virgem Maria, que depois foi aprovada pelo papa Inocêncio IV.
Tendo estes santos varões agregado a si muitos companheiros, começaram a percorrer as cidades e aldeias da Itália, principalmente da Toscana, pregando em toda a parte Jesus Crucificado, acalmando as guerras civis e trazendo muitos desorientados à senda da virtude.
E não limitaram os seus trabalhos apostólicos à Itália apenas, mas pregaram ainda na Grança, na Alemanha e na Polônia. Finalmente, tendo espalhado, ao largo e ao longe, o bom odor de Jesus Cristo, notáveis ainda pelo dom dos milagres, adormeceram no Senhor.
Mas, como em vida a caridade fraterna e o amor da religião os unia, assim depois da morte foram colocados nos mesmo sepulcro, e venerados em conjunto pelo povo. Por isso, Clemente XI e Bento XIII confirmaram o culto, de há séculos prestado a cada um deles, e leão XIII, aprovados alguns milagres obtidos pela invocação coletiva dos mesmos santos, canonizou-os no quinquagésimo aniversário de seu sacerdócio em 1888, e decretou que a memória deles fosse celebrada anualmente em toda a Igreja, com ofício e missa.
cf. 15 de setembro (N. Senhora das dores)

Fonte:
Santos de Cada Dia

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Santo de Cada Dia - 16 de Fevereiro

Santos Elias, Jeremias, Isaías, Samuel e Daniel
Às portas de Cesareia da Palestina, residência do governador romano, apresentaram-se um dia cinco egípcios jovens. Voltavam da Cilícia (Turquia) aonde tinham acompanhado, para os reconfortar, compatriotas cristãos condenados às minas. Aos guardas, que lhes faziam perguntas, dirigiram eles uma linguagem tão estranha que foram tidos como suspeitos e levados ao governador Firmiliano.
-Quem sois vós? perguntou-lhes.
- Elias, Jeremias, Isaías, Samuel e Daniel, respondeu Elias que falava em nome de todos. Eram nomes desconhecidos no império romano; tinham-nos tomado do batismo; ora Firmiliano não lia o Antigo Testamento.
- Donde sois? prosseguiu.
- Somos da Jerusalém do alto.
- E onde é essa Jerusalém do alto? Perguntou o governador que nem sabia com certeza onde era a Jerusalém de baixo, uma vez que este nome tinha sido substituído dois séculos antes por Élia Capitolina.
- Está do lado do Oriente, pois é no Oriente que nasce o sol, e Jesus é para nós o sol de justiça, a luz que brilha nas trevas (Jo 1, 5).
- Mas, afinal qual é vosso ofício? - perguntou Firmiliano que nada entendia dessa linguagem esotérica, se é que não se defrontava com inimigos de Roma, vindos do oriente.
- Somos cristãos; fazemos profissão de servos de Cristo, no qual pusemos a nossa esperança e o nosso amor.
Desta vez o  governador compreendeu; e mandou que os decapitassem. Isto mesmo é que eles procuravam: como não desejar sair desse mundo para entrar em outro melhor? Não pensavam eles nos seus amigos, de quem há pouco se tinham despedido, nesses irmãos que eram tratados pior que animais nas minas de Cilícia?
O historiador Eusébio de Cesareia é quem nos informa disto; estava nas vizinhanças quando, no ano de 309, eles foram justiçados.


Santos Elias, Jeremias, Isaías, Samuel e Daniel com companheiros

Fonte:
Santos de cada dia pág 161 e 162

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Santo de Cada Dia - 15 de fevereiro

Santos Faustino e Jovita


Conta-se que dois irmãos, Faustino e Jovita, o primeiro sacerdote e o segundo diácono, começaram a pregar o evangelho em Bríxia (ou Bréscia ), sua terra natal. Entretanto apareceu na Lombardia, vindo do Oriente, o césar Adriano para suceder ao imperador Trajano. O conde Itálico se dirigiu ao seu encontro e informou-o do êxito da pregação cristã. Chegando a Bríxia, o novo imperador quis instruir pessoalmente o processo dos dois apóstolos e começou por lhes infligir diversos tormentos. depois levou-os consigo para Roma e foi renovando, em cada jornada, os interrogatórios e as torturas. Nada conseguiu abalar a constância dos dois irmãos. Por isso Adriano recambiou-se para Bríxia, a fim de serem decapitados na terra onde tinham exercido o seu zelo ( princípios do séc II).

Fonte:
Santos de cada dia - página 158

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Santo de Cada Dia - 14 de fevereiro

São Cirilo E São Metódio - Compatronos da Europa
Carta Apostólica de João Paulo II "Egregiae virtutis"


Introdução
Às ilustres figuras de São Cirilo e São Metódio se dirigem de novo os pensamentos e os corações nesse ano em que decorrem dois centenários particularmente significativos. Completam-se, de fato, cem anos desde a publicação da carta encíclica Grande Munus de 30 de setembro de 1880, com a qual o grande pontífice Leão XIII recordou a toda a Igreja as figuras e a atividade apostólica desdes dois Santos e, ao mesmo tempo, introduziu a festividade litúrgica deles no calendário da Igreja Católica. Decorre, além disso, o XI centenário da Carta Industriae Tuae, enviada pelo meu predecessor João VIII ao príncipe Svatopluk em junho do ano de 880, na qual era louvado e recomendado o uso da língua eslava na liturgia, para que "nessa língua fossem proclamados os louvores e as obras de Cristo nosso Senhor"







Vida de São Cirilo e São Metódio
Cirilo e Metódio, irmãos, gregos. Naturais de Tessalonica, cidade em que trabalhou e viveu São Paulo, entraram, desde o início da vocação, em estreitas relações culturais e espirituais com a Igreja Patriarcal de Constantinopla, então florescente por cultura e atividade missionária, em cuja alta escola se formaram. Ambos tinham escolhido o estado religioso, unindo os deveres da vocação religiosa com o serviço missionário, de que deram um primeiro testemunho dirigindo-se a evangelizar os Cazários da Crimeia.
Mas a preeminente obra missionária dos dois foi a missão na Grande Morávia entre os povos que habitavam então a península balcânica e as terras percorridas pelo Danúbio; foi ela empreendida a pedido do príncipe da Morávia, Rocislaw, apresentado ao imperador e à Igreja de Constantinopla. Para corresponderem às necessidades do serviço apostólico no meio dos povos eslavos, traduziram na língua destes os Livros Sagrados com finalidade litúrgica e catequética, lançando com isto as bases de toda a literatura nas línguas dos mesmos povos. Justamente são eles, por isso, considerados não só os apóstolos dos Eslavos mas também os pais da cultura entre todos esses Povos e todas essas nações, para quem os primeiros escritos da língua eslava não cessam de ser o ponto de referência na história dessas literaturas.
Cirilo e Metódio desempenharam o próprio serviço missionário em união tanto com a Igreja de Constantinopla, pela qual tinham sido mandados, como com a Sé romana de Pedro, pela qual foram confirmados, manifestando deste modo a unidade da Igreja, que durante o período da vida e da atividade deles não estava ferida pela desventura da divisão entre Oriente e Ocidente, apesar das grandes tensões que, naquele tempo, assinalaram as relações entre Roma e Constantinopla.
Em Roma, Cirilo e Metódio foram acolhidos com honra pelo papa e pela Igreja Romana, e encontraram aprovação e apoio para toda a sua obra apostólica, e também para a sua inovação de celebrar a liturgia na língua eslava, hostilizada nalguns ambientes ocidentais. Em Roma concluiu a vida de Cirilo (14 de fevereiro de 869) e foi sepultado na igreja de São Clemente, ao passo que Metódio, ordenado pelo papa arcebispo da antiga sé de Sírmio, foi enviado para a Morávia a fim de continuar a providencial obra apostólica, continuada por com zelo e coragem ao lado dos discípulos e no meio do seu povo até ao fim da vida (6 de abril de 885)
Compatronos da Europa
Há cem anos o papa Leão XIII com a encíclica Grande munis recordou a toda a Igreja os extraordinários méritos de São Cirilo e São Metódio, pela sua obra de evangelização dos Eslavos. Dado porém que neste ano a Igreja recorda solenemente o milésimo quingentéssimo aniversário do nascimento de São Bento, proclamado em 1964 pelo meu venerável predecessor, Paulo VI, patrono da Europa, pareceu que esta proteção quanto a toda a Europa seria melhor posta em relevo se, à grande obra do Santo Patriarca do Ocidente, juntássemos os particulares méritos dos dois Santos Irmãos, Cirilo e Metódio. Em favor disto há múltiplas razões de natureza histórica, quer da passada quer da contemporânea, que têm a sua garantia tanto teológica como eclesial e também cultural, na história do nosso continente europeu. Por isso, antes ainda que termine este ano dedicado à especial memória de São Bento, desejo que, para o centenário da encíclica leonina, se valorizem todas estas razões mediante a presente proclamação de São Cirilo e São Metódio como compatronos da Europa.

31/dezembro/1980

(Editado)
Fonte
Santos de cada dia página 155